Arroz, feijão, ovo e uma mãe desnecessária

mãe desnecessáriaArroz, feijão, ovo frito

Meu objetivo dentro da maternidade é ser uma mãe desnecessária.

Pra mim, que sempre quis manter os filhos debaixo das minhas asas, é uma meta bastante ousada. Há alguns anos, ela seria impossível de ser alcançada.

Com os filhos adolescentes, não tenho outra opção a senão ser desnecessária.

Ser desnecessária é ir, aos poucos, saindo de cena do cotidiano deles para que eles possam assumir as obrigações, com seus deveres e, claro, os direitos como cidadãos do mundo. Serem plenamente capazes de assumir as consequências das próprias escolhas. leia mais

Cozinhar em casa pra quê?

cozinhar-em-casaCozinhar em casa pra quê. Almocei num Sesc, em São Paulo, e quase recebi dinheiro para comer. Comi uma comida boa, bem feita, temperada, balanceada, colorida e diversificada. Paguei R$ 2,55 por tudo. Isso mesmo R$ 2,55.

Foi o almoço mais barato da minha vida. Comi pouco, tinha cerca de 200 gramas no prato, mas mesmo que tivesse colocado mais gramas, teria gastado pouco porque o custo do almoço no Sesc é subsidiado.

Tão barato que temos o costume, aqui em casa, de almoçar no Sesc sempre que a grana está curta. Em geral, pagamos por quatro refeições, com bebidas, sobremesas e cafés ,R$ 33. Isso mesmo. Vale muito a pena. leia mais

O poder do discurso materno na cozinha

Um dos livros mais marcantes que li este ano foi o Poder do Discurso Materno, da terapeuta argentina Laura Gutman. Ela explica como as frases ditas pelo adulto que cuida das crianças, que, na imensa maioria das vezes, é a mãe, podem moldar os filhos – para o bem ou para o mal.

Poder do discurso materno

Laura prova, com relatos de casos, o tamanho da força das frases maternas na personalidade dos pequenos.

Impossível não me ver no livro, tanto como mãe quanto como filha. O quanto a minha fala é determinante nas ações e nas personalidades dos meus filhos e o quanto as frases da minha mãe, ditas quando eu era criança, me afetaram. leia mais

Menino nojentinho!

Miguel tem apetite instável. Aliás sempre teve. Agora, com 7 anos, está melhor, mais estável. Os dias seguidos que ele come bem superam a fase negra. Na verdade, nesses anos todos, aprendi que ele come bem quando tem fome (claro) e quando é servido o que ele gosta.

Se ele tem fome, mas o cardápio não agrada, come pouco. Cisca, como dizia minha vó.

Na verdade, ele desanima rapidamente quando enxerga nas panelas algo “estranho”.

Além do apetite instável, Miguel tem um paladar bastante seletivo. Tão seletivo que até escrevi a ele, paladar, para ser mais bacaninha, lembra? leia mais

Só o conhecimento salva!

Posso considerar essa semana uma das mais complicadas que já tive nos últimos anos. Estou trabalhando bastante num projeto muuuuuito legal que tem me tirado de casa, do meu home office, por longas horas quase todos os dias. Ou seja, nunca precisei tanto da Ana quanto agora. Pois bem, acho que ela tem um feeling apurado porque juto agora decidiu dar no pé. Desapareceu. Sumiu. Escafedeu. Não deu notícia. Não pediu demissão. Não disse tchau nem “Patrícia, não te suporto mais. Então, fui!”. Nada. Sei que ela não morreu. Nem que caiu doente. (E a Ana é aquela mesma que cansei de elogiar aqui, porque ela é uma excente cozinheira). Na segunda-feira, o marido não foi trabalhar porque não havia ninguém para ficar com os meninos. Na terça, eles foram deixados na vizinha porque não cheguei a tempo de rendê-lo. Minha mãe fará plantão por aqui hoje… Enfim, dá para imaginar como estão meu humor e meu equilíbrio emocional, né? Se falar alto, desabo em prantos. A vida seja, porém, difícil. (Se alguém souber ou tiver indicação de uma pessoa para trabalhar, tô aceitando!!!) leia mais

O que me inspira

A Chris Campos, do Casa da Chris, tem um site delicioso e textos inspiradores. Já faz um tempo que me deparei com o texto abaixo. Gostei muito porque me identifiquei, me vi nele. Queria ser mais safa na cozinha e capaz de criar um prato diferente com os restos que vão ficando pelos potes nos cantos da geladeira. Queria ser como a Ana, nossa brava ajudante aqui em casa, que consegue olhar para tudo aquilo e visualizar um prato gostoso que as crianças apreciam ou, como diz a Chris, ser como as nossas avós que faziam o próprio pão com o que tinham à mão. Vida mais simples, menos descomplicada. Será que consigo? Será que aprendo? leia mais

Minha aventura na cozinha

Três coisas que li na última semana me chamaram muito a atenção:
– a primeira foi o relato da nossa amiga-colabodora Andréa sobre a decisão de contratar uma nutricionista para ajudar a família a melhorar a qualidade da alimentação (e olha que conheço a Andrea há muito tempo e sei que come-se muito bem na casa dela. Mas, como sempre dá para melhorar, então melhoremos);

– a segunda foi o resultado da nossa pesquisa sobre quem cozinha: a maioria das leitoras que respondeu diz que é ela porque é necessário (ou seja, se tivessem alguém para executar essa missão passariam a bola adiante, como faço aqui em casa); – e a terceira foi a pesquisa do Datafolha sobre alimentação que saiu na Folha e alertava que o despreparo das mães e dos pais com a maternidade é que leva as crianças à comer salgadinho, bolacha com recheio e beber refrigerante antes de dois anos de idade. A maternidade desembarca em nossas vidas como um universo realmente paralelo. Temos menos contato com bebês do que as gerações de nossos pais. Tem gente que só vai ter contato de fato com um bebê pela primeira vez na vida no nascimento do filho. Isso significa também ter contato com a alimentação infantil e, às vezes, até com a cozinha. Minha mãe já cozinhava aos 7 anos de idade. Não porque gostava, mas por dever. É a caçula de 8 irmãos. Como todos trabalhavam, alguém tinha de fazer a comida de casa. Esse alguém era minha mãe. É, claro, que aos 20 anos, quando ela se casou, já sabia pilotar todos os fogões e panelas. Sabia cozinhar para pessoas de todas as idades e sabia fazer papinha para os sobrinhos. Eu fui pilotar fogão aos 14 anos a pedido da minha mãe, “para me preparar para a vida”. Era uma espécie de sub-chefe da minha irmã mais velha. Mas sempre detestei a função e toda vez que podia passava a bola adiante. Fui me interessar “em estudar, me formar, trabalhar para não depender de marido”. Saí de casa para casar e me libertei da obrigação de cozinhar. Assim como a Andréa, na minha casa tinha todos os cardápios de restaurantes delivery do bairro na gaveta da mesa do telefone. Jamais me preocupei em aprender a cozinhar melhor. Mas, quando Samuel nasceu, fiquei chocada com o universo paralelo que se abriu e também sobre quanto eu e maridón desconhecíamos o mundo dos casais com filhos. Fiquei bege. E também rosa, amarela, verde. Apesar dos esforços da minha mãe, cozinhar continuou a ser um mistério para mim. No momento da introdução da papinha, quando o pediatra deu a receita da primeira papinha, o mistério da culinária se mostrou toda a sua força: saí do consultório sem saber se 1 quilo de carne daria para a primeira papinha. Naquele momento fiquei roxa. Uma total sem noção! Sorte que minha mãe me socorreu (com sorriso largo) na primeira papinha e também em dizer que não eu deveria dar suco de caixinha antes do Samuel ter 2 anos; que eu só fui comer doce quando tinha 3 anos de idade; que eu nunca tinha bebido refrigerante até os 5 anos; que só me dava bolacha Maria ou Maizena. Enfim, minha mãe pode ter enchido minhas orelhas com tanto “que assim, que assado”, mas sábia a sabedoria dela em me azucrinar porque não caí na tentação da via fácil, ou seja, de dar o que eu, adulta, mastigo, para um bebê de seis meses porque fazer papinha é chato, dá trabalho. Infelizmente, há muito adulto fazendo isso, como mostra pesquisa da Unifesp. É uma pena. Ter filhos é sair de um mundo e entrar em outro mundo, que dá muito trabalho e exige muito jogo de cintura e pouca preguiça. Há tanta fruta que dá para ser levada na bolsa. Há tantos potinhos que cabem frutas e que também cabem em qualquer bolsa. E existe água para as crianças. E existe a palavra NÃO para ser dita quando eles querem a bebida proibida. Não é difícil, né! Na verdade é mais simples do que achamos. Por um mundo com menos bebês tomando Coca-Cola na mamadeira e comendo menos bolachas recheadas. beijos da Pati