Reflexões e uma canja de galinha

canja de galinha

Este post tem uma receita de canja de galinha caseira, deliciosa e trabalhosa. Mas antes tem um pouco de reflexão sobre a minha atual fase.

Caso não queira ter trabalho na cozinha para preparar uma canja de galinha dos deuses, de comer de joelhos, de comer rezando, pare de ler aqui. Mude para outro post com a receita de um bolo de chocolate muito fácil de fazer, por exemplo.

Caso também não queira saber da minha vida, apenas pare de ler este post. Mude para outro com receita de um frango muito fácil de fazer,  por exemplo.

Se você quer apenas aprender a fazer uma canja dos deuses e nada da minha vida atual lhe interessa, role a página e  vá direto para a receita.

 Reflexão: Se assumir leva tempo e exige maturidade

A moça pergunta: Qual a sua profissão?
Eu respondo: Dona de casa
 
Precisei de quase uma vida inteira para tomar coragem e responder qual é a minha profissão atual.
Na verdade, na frente da atendente, levei alguns segundos. Não foi uma resposta imediata como acontecia até o ano passado. Quando me perguntavam qual era a minha profissão, eu, rápida e orgulhosa, dizia: JORNALISTA!
Quem nos dias atuais tem coragem para dizer que, profissionalmente, é uma dona de casa?
Uma simples dona de casa. Aquela mulher que, no imaginário da coletividade, vive apenas para os afazeres domésticos, para a filharada e o marido. Aquela mulher que sabe tudo sobre como retirar mancha da roupa, das janelas, do chão. Uma profissional da mancha. Um indivíduo menor aos olhos da sociedade.
dona de casa
Eu demorei, como disse, uma vida inteira para começar a me assumir que sou dona de casa.  A primeira vez foi tímida. A segunda, demorada.
Assumir que minha condição de dona de casa, para a qual não precisei prestar vestibular e ralar quatro anos em uma universidade diz muito na minha fase atual.
Assumir que sou “essa figura menor” me faz quebrar preconceitos, rever conceitos, dar valor ao que sempre teve valor.
A dona de casa é muito mais do que uma profissional da mancha. É a pessoa que dá norte para um lar, é referência.
Estou no meio de uma mudança de rota profissional. Abandonando a roupagem de jornalista. Ou melhor, colocando sobre a pele de jornalista uma nova, a de psicanalista.
Entre elas, ter colocado a de dona de casa me deu um norte.
Assumir que cuido da minha casa, do meu lar, tal qual uma profissional do ramo, tem sido importante para mim. Estou tirando manchas que atrapalhavam a minha roupagem, como a de que a dona de casa é uma profissão alienada.
Alienados somos todos. Só os doentes narcísicos, como os psicóticos, não são alienados.
Mas para me assumir nessa roupagem precisei de maturidade. Precisei da tranquilidade do amadurecer e da intranquilidade do divã. Santo divã!
Me assumir dona de casa me dá um significado.
Ser dona de casa me dá um sentido. Uma estabilidade. Um lar. Uma casa. Um casulo, tal qual o da lagarta.
Ser dona de casa e saber fazer uma canja de galinha dos deuses me preenche muito orgulho.
Vida longa e próspera às donas de casa!

canja de galinha

Receita de canja de galinha

Ingredientes

1 frango inteiro (com pés, cabeça, pescoço)

2 cebolas grandes cortada bem miudinhas

1 tomate sem pele e sem sementes cortado bem miudinho

2 cenouras médias cortadas bem miudinhas

salsinha a gosto

cebolinha a gosto

alho porró a gosto

sal, pimenta do reino a gosto

canja de galinha

Modo de Preparo

1 – Numa panela muito grande, coloque todos os ingredientes (eu dispenso os miúdos)

2 – Cubra o frango com água filtrada. Tem de ser filtrada ou fervida, muito bem fervida.

3 – Tampe e leve ao fogo baixo para cozinhar por mais de 1h30 ou até o frango descolar do osso

4 – Retire o frango da panela. Essa operação é delicada. Você vai precisar de um recipiente grande para colocar o frango. Como ele estará quente, use um garfo grande ou uma faca grande para ser fincada no meio do peito da ave e assim conseguir erguê-la para escorrer todo o caldo que tem dentro dele. Escorra o caldo dentro da panela.

5 – Desfie o peito do frango e reserve.

6 – Em outro recipiente, desfie todo o resto do frango. Jogue fora a pele. Coloque a ossada, os pés e a cabeça em outra panela e prepare um caldo de frango para usar em risottos, ensopados, temperar feijão ou arroz.

6 – Mantenha o caldo da canja, que está dentro da panela, em fogo baixo.

7 – Cozinhe à parte arroz, macarrão ou batatas cortadas em cubinhos. Aqui vale a sua família gosta mais.

8 – Quando os carboidratos estiverem prontos, sirva a canja. Coloque em potes, na seguinte ordem: o arroz, macarrão ou a batata, o peito de frango desfiado e, por último, cubra com o caldo da canja.

9 – Se delicie-se

DICAS:

  • se durante o cozimento você notar que  a água baixou muito, coloque mais até cobrir o frango novamente.
  • rende bastante canja e caldo de galinha, que poderão ser congelados.
  • use a carne desfiada do frango em panquecas, recheio de tortas entre outras tantas receitas.

Um beijo,

Patricia

PS: Minha casa tem manchas nos vidros das janelas, dos boxes, no sofá, nos panos de prato e de chão, nas toalhas da mesa.

 

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