Refeição com tablete, a nova (e maldita) moda entre as crianças

A cena ao lado, registrada pela Folha de S.Paulo, é cada vez mais comum em restaurantes em São Paulo. Pequenos diante de tablets ligados em desenhos. Também é fácil ver crianças em restaurantes diante de videogames portáteis enquanto o prato de comida não chega à mesa. Os pequenos assistem e os adultos comem com tranquilidade.

Essas cenas têm chamado a minha atenção porque quando a família está reunida à mesa, no restaurante, ocorre uma interação. A conversa flui e muitas vezes o foco nem fica na comida, mas no cotidiano de cada membro da família. Na hora da refeição, é possível falar de escola, dos amigos, de música, filmes e até de programas de televisão.

Os pais descobrem mais sobre os filhos. Os pequenos aprendem como se comportar nas refeições, a esperar pela comida.  Mas quem quer esperar, né, gente? Quem tem paciência para distrair menino ligado no 220 volts? Joga logo uma telinha na mão do moleque, assim ele sossega. E dá sossego pra gente! 😛

Bom, Samuel tem 11 anos. Quando ele era pequeno, no auge no terrible two, não existia Galinha Pintadinha em tablets para acalmar a criança à mesa. O jeito era andar pelo restaurante atrás do pequeno desbravador. O jeito também  era revezar a missão com maridón. Enquanto um comia, o outro andava com o moleque. Era ruim? Sim.  Mas o tempo passou e rápido demais. Hoje, Samuel e Miguel comem sem telas à frente, mas quando tem, eles ficam com a cara nas telas e nem conversam com a gente, puf! . Quando o restaurante é child friendly saem da mesa para brincar.

Nesse exercício dos infernos que é não recorrer às telas para acalmar a cria até a comida chegar à mesa, os pais também aprendem, principalmente a ter paciência com as limitações da criança pequena, que ainda não sabe esperar o prato chegar, que ainda não tem coordenação motora para levar a comida à boca, mas deve ser estimulada a comer sozinha. Aprendem também que comer em restaurante com filho pequeno é um programa rápido e objetivo. Afinal, nenhuma criança aguenta ficar mais de uma hora sentada diante de um prato de comida.

O treino da paciência infantil começa em casa. Evite recorrer tanto às telas (só de vez em quando e principalmente se for Gangman Style), seja de videogames, celulares, tablets ou televisão, gadgets que são muitos legais e de fato distraem as crianças, mas o uso prejudica a convivência familiar à mesa. E engorda.

Perceberam que eu não sou muito a favor dessa nova modalidade de “sossega leão”.  Mas e você, o que acha?

beijos,

Patricia

20 Comments

Luana

Eu as vezes recorre a este método nos restaurantes, não sempre, e nunca durante toda a refeição. Em casa jamais. Minha filha está com 1 ano e 7 meses.
Então acho que não é de todo ruim, o segredo é cuidar com a frequência e tempo. Realmente tem que haver interação da família, mas ao mesmo tempo cada um deve ter espaço para suas atividades e gostos, até pra o próprio desenvolvimento da criança, com liberdade e responsabilidade.
Muito bom você abordar este assunto.
Beijos

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Renata Marques

Definitivamente sou contra, não só a tablets mas a tv, livrinhos, e qualquer outra coisa à mesa que não seja a comida e a família. Esse deveria ser um momento “sagrado” onde se conversa, se exerce a gratidão por ter um prato para comer, onde se aprimora os sentidos saboreando o alimento e a companhia. Amo tecnologias e entretenimento mas acho que tudo tem sua hora e lugar. Os pais devem dar o exemplo se desconectando nessa hora também. A não ser que sejam médicos (cirurgiões ou obstetras, por exemplo) não necessitam atender todas as chamadas telefônicas.

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Comer para Crescer

Renata,
Concordo plenamente contigo. Confesso que quando os meninos eram pequenos recorríamos à TV para “agilizar” o processo. E, aí, que está o erro. Esse “agilizar” não é legal. Estamos muito acelerados, mas o desenvolvimento segue o mesmo curso a milênios e isso significa que precisamos entender essa dinâmica quando os filhos nascem e desacelerar, pelo menos nas refeições.
bjs

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Nine

Eu não gosto e nunca usei em restaurantes ou em casa durante as refeições. Minha mais velha tem 3a7m, vamos com ela a restaurantes desde sempre e passamos por diversas fases. Durante a espera pela comida nós conversamos, brincamos com o que está sobre a mesa, damos bronca (faz parte). Quando a comida chega todos nós comemos, ela come sozinha, com uma ajuda de vez em quando, eu e marido comemos e conversamos, continuamos dando atenção a ela, mas comemos rápido, tipo, depois de comer, pedir a conta e ir embora, nada de ficar batendo papo que isso com criança não rola. Não estou dizendo que é errado usar, mas sinceramente fico triste quando vejo as crianças assim vidradas numa tela, seja de computador, tablet, videogame. Prefiro que elas estejam então no parquinho, brincando, ou andando entre as mesas do restaurante. Quando eu era criança não havia nada disso e nós sempre íamos aos restaurantes com a família, tínhamos que inventar algo para nos distrair enquanto os adultos conversavam. Agora as crianças não sabem mais viver sem ter um adulto por perto dizendo o que fazer, ou uma tela com algo pronto para as distrair. Eu não almoço na frente do computador, não me sento à mesa com minha família com um tablet ligado (seria desrrespeitoso, não acham?), então pq eu devo ensinar meus filhos que isso é permitido?
Beijos,
Nine

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Gisela Blanco

Menina! Escrevi sobre isso um dia desses. Eu acho ok usar o iPad da hora do almoço de vez em quando. Desde que isso não vire um hábito, claro. E tudo depende também do que você fez antes e depois daquele momento com seu filho – se já brincou, deu atenção pra ele. Dessa forma, os tablets são uma mão na roda, ótima invenção pra ajudar pais desesperados a almoçar em paz. Santos tablets!
O meu post: http://www.maegeek.com/quando-e-ok-fazer-o-ipad-de-baba/
Bjs

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Cristina

Acho terrível quando vejo crianças em restaurantes agarrados a tablets, Iphones ou qualquer variante. Em casa também sou contra. Depois eles vão crescendo e os pais reclamando que o “fulano passa o dia inteiro na frente do computador”, que não interage com a família, que não é sociável, etc. Mas esquecem que o hábito começou lá atrás, quando o que os adultos queriam era um pouco de “paz” pra comer ou fazer qualquer outra coisa. Meu filho brinca com o Iphone do pai e assiste um filminho ou outro no Youtube. Claro que não quero que ela seja um “excluído”, digitalmente falando, mas tudo tem limite.

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Thiago

Nao acho legal ver uma crianca abduzida por um eletronico na mesa. Vejo o tanto que isso prejudica na frente, quando eles sao pre-adolescentes ou adolescentes. Chega a familia e o menino com fone de ouvido, jogando joguinho. Deprimente.
Minha esposa e eu saimos muito para comer com nosso filho (2 anos e 2 meses). Ele sabe pedir, esperar, brincar com o que tem na mesa sem dar muito trabalho. Gosta da nossa atencao e nos gostamos de conversar e brincar com ele. Enfim, ja estamos acostumados a passar muito tempo juntos.
Minha pergunta eh: e quando o restaurante ja oferece um papel para colorir e giz de cera?! Nao seria uma versao pre-historica do mesmo fenomeno?! A intencao nao seria tambem entreter a crianca enquanto os adultos tem paz?! … eu costumo colorir junto com meu filho. Ja estou acostumado a manter duas atividades ao mesmo tempo – uma com ele e outra com os adultos.

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Sabrina

Também não sou muito a favor dessas tecnologia na hora do almoço, meu filho tem computador e celular, mas na hora do almoço nada de “brincadeiras” na mesa… Enquanto a comida não vem ou conversamos, assuntos que ele escolhe, ou então ele vai brincar com o que o restaurante oferece para as crianças…
super beijo
Bina

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Comer para Crescer

Como eu lidava há 10 anos atrás. Corre atrás da fera ou chama os amigos para almoçar em casa.

bjs

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mariana

que posso te dizer?
no final de semana uso direto o iphone, ipad, o que tiver para eu poder almoçar com os amigos numa mesa. as vezes sao 5 crianças jogando juntas ou separadas. talvez numa outra epoca os pais nem levassem os filhos aos restaurantes, talvez hoje todos devem ser sintonizados em 4 canais e nem nos damos conta que possa ser diferente. as vezes so quero um pouco de paz. mas de uma coisa tens razão, nem pais nem crianças tem paciencia hoje em dia. eu mesma me policio muito. enfim, sei la sabe.????

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Luciana

Sou contra! Não sou quadrada nem nada, mas não acho legal dar qualquer ferramenta tecnológica para distrair os pequenos. Claro que ajuda e muito, mas acho precoce, meu filho tem quase 5 anos e se deixar ele “viaja” mas enquanto puder vou resistir. Sou da geração de brincar de esconde esconde na rua, rodar pião, pular elástico e por aí vai; acho uma pena as crianças de hoje não saberem o que é isso. Os tempos mudaram e talvez por este motivo eu seja a favor de brincadeiras à moda antiga até onde for possível. Beijos

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Cris Bispo

Antigamente, minha mãe levava papel e caneta. Alguns restaurantes ofereciam papel e giz de cera para as crianças. Isso era tão comum que alguns mantinham um pote com giz de cera ao lado do saleiro. Minha mãe nunca precisou ficar correndo atrás da gente. Ela, com certeza teria te dado essa dica, assim como ela me deu. E, enquanto os adultos conversavam, nós desenhávamos totalmente alheios ao papo deles. No fluxo da conversa, eventualmente éramos chamados à conversa. Ninguém nunca reclamou disso e era super saudável. Acho que há um pouco de perseguição ao novo. Não vejo diferença entre desenhar no papel ou no joguinho de quebra cabeças e desenho do tablet.

Minha filha, de 3 anos, costuma desenhar nos restaurantes, mas em casa, ela usa o tablet de vez em quando. Então eu puxo assunto sobre o desenho, ou do joguinho e, em pouco tempo, o tablet fica lá no blá blá blá sozinho enquanto minha filha e eu conversamos deliciosamente.

O vilão da história não é o tablet, mas os pais que se acomodam e ignoram a criança tantas e tantas vezes que acaba virando um hábito.

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Leticia de Souza

Eu acho que com crianças menores que ficam no maximo 5 minutos sentadas é valido porque eles vão interagir pouco em termos de conversar e tal. Mas com os maiores sou a favor de moderar sim, justamente para que eles participem da refeição e que existe um mundo em sua volta.

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Eugenia

Querida, minha filha tem dois anos e meio. Somos em casa adeptos de comida saudável, nada de TV na hora das refeições, criamos histórias para dormir e a ensinamos sobre a importância da Natureza, da gratidão e dos bons sentimentos… Mas, Ana, como o pai, adora tecnologia. E, de quando em quando, ela brinca com o IPad e de forma serena. Raramente ela o utiliza antes das refeições. Mas um dia desses eu a deixei usar um pouco antes do almoço e em um restaurante. Quando a comida chegou ao seu prato, hora de parar e tudo bem… Vejo muitos pais e. Restaurantes de mau humor, carregando os filhos de lá para cá, bravos porque eles correm, etc. Etc… Assim, não vale sempre o bom senso ou o caminho do meio? Não dá para fugir de uma era tecnológica, mas discipliná-la com ética, afeto, solidariedade e cuidado com a natureza e todos os seres. Senão, corremos o risco de nos fiar na hipocrisia… E cada família tem o direito de mesclar seu estilo de vida, suas práticas e seus saberes, desde que cuidem com amor e atenção de sua prole, não? Gostei muito do depoimento de algumas pessoas e acho que as diferenças pode, conviver… Beijinhos e bom feriado!

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Paolla

Olha a Mamãe Pediatra surtada voltando à ação…

Eu vi uma cena dessas num restaurante, numa noite dessas que eu não queria cozinhar. Quase infartei. A menina era da idade da minha, os pais tagarelando e a menina no tablet. Enquanto isso, a minha comia feliz seu macarrão com bife e tomatinho-uva. MORRI DE DÓ quando a comida dessa mesa chegou, pois certamente tinham ficado felizes porque a menina estava dando sossego no tablet e ninguém lembrou de perguntar pra criança o que ela queria COMER! Veio um HAMBURGUER pro pai, um bife lindo com batatas e salada para a mãe e um FILEZINHO DE FRANGO COM SALADA VERDE E BETERRABA pra criança! Obviamente ela falou “não como isso”… e a mãe deu a maior bronca nela, tive que acelerar a conta pra tirar a minha filha de lá antes que ela perguntasse por que a menina estava chorando. Visivelmente os pais não conheciam os gostos da filha ou queriam mostrar pra todo mundo que a menina comia de tudo, porque aquele prato nem a minha menina, que é uma draga, comeria, ainda mais vendo o burguer do pai. Tecnologia, sim, negligência e descaso, não.

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Comer para Crescer

Paolla,
Excelente comentário. É impressionante e assustador ver a negligência dos pais e pior ele nem se dão conta disso! Que feio!

bsj

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Criança pode usar tablet no restaurante? : Comer para Crescer

[…] Pensando no lado educacional, o tablet funciona exatamente como ver televisão na hora da refeição. A criança não presta atenção no que está comendo, não sente o sabor dos alimentos, perde a noção de saciedade. E fica bem longe do saudável convívio familiar. Dá para pensar que podem se sentir rejeitadas – ou sei lá, dão graças a Deus por lhe deixarem em paz. Reflexões que a modernidade nos traz como a Patrícia já fez por aqui. […]

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