Mudanças demais e vegetais de menos!

mudanças demais

este tem sido um ano particularmente diferente. mudanças demais, em demasia.

não me refiro às mudanças constantes, como o meu envelhecimento!

são outras grandes mudanças, que têm me exigido uma boa dose de maturidade e neutralidade para saber lidar com os imprevistos que têm acompanhado as novidades.

como…

…mudar do meu apartamento amado, querido e limpo para o apartamento imundo, cheio de baratas, gelado, escuro e barulhento do AirBnb.

…os primeiros sinais de barba do meu filho (ahhhhh!!!).

…o falecimento inesperado da minha gatinha linda (oh my!!!).

…a piora na saúde do meu pai (nenhuma palavra, frase ou oração consegue abarcar a dor de acompanhar, ver de perto, a piora do estado do pai amado).

…o gravíssimo adoecimento do pai do meu marido (um momento triste que exige desprendimento).

a ida para o apartamento ruim foi por uma boa causa – a reforma do meu lar amado, que ficou lindo, aconchegante, do jeito que queríamos. Mas o lugar onde ficamos até a reforma terminar era tão péssimo, que o preço por essa estadia foi um alto custo emocional, levando a um desgaste de energia.

a barba do meu filho indica que a minha maternidade entrou numa outra fase. agora sou cada vez mais a mãe desnecessária. um lugar importante de estar, mas que ainda não consigo me encaixar. muito parecido com o da mãe no pós-parto do primeiro filho.

escrevi sobre a mãe desnecessária e sua importância em outro post.

A morte

A morte é um fato da vida. Todos nós vamos morrer. Isso é sabido por todos os adultos, mas quando ela nos ronda, falamos pouco sobre o assunto. É um tema tabu, e como tal, lidamos de maneira bem ambivalente com ele.

Perder a minha gatinha linda de maneira abrupta, acompanhar meu marido no drama familiar dele e lidar com a piora no estado de saúde do meu pai trouxe a morte para dentro da minha casa. Não tem sido fácil. Estou conseguindo levar de um jeito devagar. Tem dias que são piores. Um sentimento diferente surge, e eu choro, fico com muita vontade de não sair da cama.  Sei que é tristeza. E saber nomear o sentimento já é um bom passo. Não sei exatamente por que estou triste. Isso não é tão legal porque fico um pouco persecutória, tentando achar a razão. Aos poucos, tenho tido a consciência de que há coisas que são possíveis e outras, não. Essa consciência reduz minha ansiedade. O velho ditado de “o que não tem remédio, remediado está” nunca fez tanto sentido. Como já consigo perceber meu corpo, sei que terei de ser menos exigente comigo nos dias que acordo sem vontade de levantar. Vou precisar de mais tempo e menos agitação. Ainda na cama, consulto a agenda para ver se a programação me permite ficar mais uma hora entre os lençóis.  Se sim, fico olhando o Twitter, rindo de bobagens, lendo algumas notícias. Dando ao corpo e à mente seu tempo.

Quando não tenho espaço na agenda para acelerar aos poucos, forço o botão do pragmatismo. E a vida segue no piloto automático. Sem prazer. Na marra.

A vida vai, mas num ritmo menos exigente comigo. A casa fica sem ser varrida. O fogão fica fechado.

mudanças demais

Vegetais de menos

Neste ano de mudanças demais, a cozinha tem ficado de lado. A frequência de post no blog diminuiu porque eu tenho cozinhado com pouca inspiração.

Tenho arriscado menos.

Não lembro quando foi a última vez que meus filhos comeram frutas, legumes ou verduras. O meu nível de exigência à mesa caiu pra quase zero. Não me cobro mais de ter de oferecer porções de frutas, legumes e saladas. Na verdade, nem tenho tido esses alimentos todos os dias nas refeições nem em casa.

Algo no meu processo de mudança afetou gravemente a minha postura na cozinha. O molho de tomate vem da passata ultraprocessada. A salada é a lavada e cortada, assim como alguns legumes. Até as frutas já chegam descascadas e cortadas. No meu freezer, tem comida congelada, inclusive nuggets.

Às vezes, o almoço é no Mc’Donalds. o jantar, pizza. Às vezes, o almoço é arroz integral orgânico, feijão, com salada orgânica, ovo orgânico e gelatina com açúcar orgânico. Tem dia que há risoto de “nada”. Tem dia que temos tartare de salmão.

mudanças demais

Tem dia que temos lasanha com molhos de linguiça e três queijos. Tem dia que sai macarrão integral na manteiga. Tem dia que chega um delicioso lámen caseiro à mesa. Tem dia que a canja caseira é servida com legumes e macarrão tipo lámen.

Apenas o hambúrguer ainda fazemos em casa. Por uma única razão: é muita fácil de fazer e muito mais gostoso do que os ultraprocessados e congelados. algo que não acontece com os nuggets. Nuggets caseiro é uma delícia. Tem zero de conservantes. Mas tenho tido enorme preguiça em limpar a louça que fica depois do preparo. Sei que nuggets ultraprocessado não é bom, mas no momento é o melhor para mim.

Vez ou outra algo diferente sai da cozinha como um patê de pimentão com castanha e temperos.

mudanças demais

Mas, no geral, não tem saído nada de inspirador. Porque tenho tido grande preguiça de entrar na cozinha. Acho que cansei da cozinha complicada, exigente e estressante. Viver na militância por uma alimentação mais saudável possível me cansou muito. Ou talvez eu tenha amadurecido. Afinal, o real é que tem de se encaixar no ideal. E não o contrário. Viver achando que é possível controlar tudo é fantasioso.

Planejei cada detalhe da reforma, mas na casa para onde fomos morar, provisoriamente, do dono não controlava nem a taxa de natalidade das baratas que lá nasciam.

Eu controlava a comidinha da minha gatinha linda e em três semanas ela adoeceu e morreu.

Meu sogro está à beira da morte.

Meu pai vive um dia de cada vez. Ele está cansado da instabilidade de amanhecer muito bem hoje depois de ontem ter ficado péssimo.

Como não é possível controlar nada, vou aprendendo a respeitar meu ritmo e tentar lidar da melhor forma possível com o inesperado.

Patê de pimentão e castanha

Ingredientes

1 pimentão vermelho grande

4 colheres de sopa de xeren (castanha de caju triturada, mas você pode usar a castanha de sua preferência)

Sal à gosto

Pimenta do reino à gosto

Azeite quanto baste

Modo de Preparo

1 – Ligue o forno na temperatura alta e aqueça o forno por 10 minutos.

2 – Baixe a temperatura. Asse o pimentão no forno até inflar. Retire do forno, deixe esfriar e retire a casca e o miolo. Corte em tiras.

3 – No liquidificador, coloque o azeite, o pimentão, as castanhas e os temperos.

4 – Bata até chegar à consistência de patê.

5 – Sirva em torradinhas.

PS: Coloquei pouco azeite porque queria um patê consistente. Acrescentei um pouco de salsinha e de cebolinha. O patê ficou ainda mais delicioso no dia seguinte.

 

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