Lancheira saudável é o c#@*&o!

lancheira saudável

Se eu fosse mãe do Zé Pequeno, com certeza, iria escutar a frase que dá título a este post. Como filho adolescente bem educado e gentil, a estratégia de Samuel para recusar qualquer lancheira saudável, com suco natural, cenourinhas, tomatinhos, sanduíches com pão integral recheado com pasta de ricota, não é soltar palavrão nem se inspirar no personagem de Cidade de Deus, mas avisar que não vai comer nada na hora do intervalo das aulas.

Fiz as contas e descobri que ele corre o risco de ficar 8 horas seguidas sem ingerir nada, tempo entre o almoço e o jantar.

Em momentos assim, quem vai ceder primeiro?

Eu. Eu cedi. E meu filho adolescente leva na mochila lanches ultraprocessados para a hora do recreio intervalo.

Ou isso ou a fome. Porque adolescentes, sei muito bem como é porque já fui uma, são duro na queda. Muito, muito, muito mais do que quando tinham 2, 3, 4 anos e morriam de medo de perder o nosso amor. Basta a gente endurecer na postura, não ceder, não abrir mão, que acabavam aceitando a lancheira saudável.

Pra começar, adolescentes não usam lancheira.

Segundo: aceitam o lanche de casa porque a cantina é sempre entupida de gente e morrem de preguiça de ficar na fila para comprar uma pizza.

Terceiro: eles ainda morrem de medo de perder o nosso amor, mas são capazes de passar fome caso chegue para eles um sanduíche de ricota com salsinha e suco verde!

Lancheira saudável nunca mais

13 anos é a idade de evitar qualquer mico. Levar suco de caixinha já é pagar mico. O lance é carregar uma garrafinha de chá (um tal de Fuze não sei o quê), suco na latinha e só. Se não tiver nada disso, bebe-se água.

Para comer, quanto mais ultraprocessado (leia-se açucarado e cheio de conservantes), melhor!

E, assim, chego eu à adolescência pela segunda vez. Na primeira, eu comia as tranqueiras e minha mãe não reclamava. Só pedia para comer uma maçã. Na segunda vez, compro essas coisas com dor e peso no coração porque sei o que tem dentro delas e porque passei anos criando lancheiras saudáveis.

Mas, conversando com as amigas, fui devidamente lembrada de como era o meu lanche aos 13 anos. Amava a coxinha da cantina do colégio. A melhor. Comia todos os dias, acompanhada de uma garrafinha de Coca-Cola. Uma das mães lembrou que comia acarajé todos dias. A outra recuperou na lembrança que saboreava o melhor pão com mortadela frita já feito e nunca mais encontrado.

Pois, então, diante da realidade que se impõe, decidi adotar a política de redução de danos para a “lancheira” do meu filho. Ele leva os ultraprocessados, mas no jantar toma sopa de brócolis com abobrinha. Sem fazer cara feia. Inclusive porque as outras opções também são tão saudáveis quanto a sopa verde.

Beijos,

Patricia

 

4 Comments

June camargo

Adoro o modo como você ajuda mães a desconstruírem ilusões e ainda ajuda a ressignificar o lado dos filhos e dos pais com um jantar especial e simple como sopa! Eles podem até torcer o nariz, mas em alguns anos, vão morrer de saudade da “sopa de mamys”.

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Marcia Daskal

Muito bom! É assim mesmo. O importante é a referência que ele tem do que é ou não saudável fazer. Você negociou bem, dentro do seu limite, e do dele. E vamos em frente, que fazer lancheira não é tarefa simples não!

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