Você é capaz de mudar seus hábitos alimentares por causa dos filhos?

A revista Época que está nas bancas traz um especial sobre a alimentação infantil. O recado nas entrelinhas dos textos é claro: os adultos são os responsáveis pelo o que as crianças pequenas comem em excesso ou deixam de comer. E toda vez que me deparo com os números da obesidade infantil fico bemmmm intrigada com certos pais . Como pode tal contradição: ao mesmo tempo que dizem se esmerar com a educação dos filhos são lenientes com a alimentação infantil. Saem do supermercado felizes carregando caixas e mais caixas de comida congelada, litros de refrigerantes, chocolates e balas nas mais variadas forma, cores e tamanhos, além, claro, de muitos pacotes de salgadinhos. Carregam quantidades para consumo quase diário dessas trasharias.

Caramba! Sinistro, não!?

Não foram poucos os comentários que leitoras deixaram aqui no blog contando que conhecem mães que dão chocolate ou refrigerante para os bebês. Como pode: pais bem informados e celeres em vomitar que se preocupam com a educação dos filhos não se incomodam em oferecer uma comida que sequer sabem como foi feita? Não leem rótulos para saber que o popular Toddynho tem mais de 40%  das necessidades diárias de sódio? Será que realmente levam a educação alimentar dos filhos tão a sério quanto a alfabetização escolar?

Depois que acostumam os filhos com essas comidas muito doces e muito salgadas reclamam que os pequeno não comem abobrinha. Assim não vale, certo? Fico sempre com a impressão que o dedo adulto aponta, acusador, para “o bebê que mama demais”; depois para o bebê que “não abre a boca para a papinha caseira”; depois o dedo acusador recai sobre a criança que “SÓ COME PORCARIA, QUE NÃO GOSTA DE COMIDA”.

Alimentar os filhos é uma atividade de risco. Todo esmero no fogão pode virar pó na velocidade de uma garfada à boca. Então, quer dizer que a melhor opção à aversão alimentar das crianças aos legumes é o refrigerante (cheio de açúcar), a comida com mais sódio que o necessário e  sabor cardyboard?

Definitivamente todos nós sabemos que não é a melhor opção. E, a mim, ninguém convence dizendo que é a única comida que a criança aceita. Conversa mole. Os adultos, acho, não estão lá muito a fim de mudar os seus hábitos e entrar no desgastante campo da educação alimentar. Ensinar o filho a optar por alimentos mais saudáveis, por vezes, é trabalhoso, desgastante e decepcionante. Inclusive porque exige uma mudança de hábito dos próprios pais e valores inabaláveis para combater a injusta campanha dirigida aos pequenos. Os números estão aí nos mostrando que tem muito adulto desejando passar bem longe de brócolis, abobrinha e cará.

beijos,
Patricia

PS: A opção pela comida saudável não elimina do cardápio alguns trecos bem trashs ou mesmo o refrigerante. O que não dá para aceitar é que as crianças comam essas porcarias todos os dias. É comida gostosa para de vez em quando e para festa de aniversário.

crédito da imagem: © Cultura Limited / SuperStock

12 Comments

lia

Pat, excelente post. Lá em casa a gente teve de diminuir o sal pra não levar nossa pequena pro mesmo caminho que nós. Graças a Deus estamos nos adaptando e reeducando nosso paladar. Como Emília ainda é um bebê, eventualmente tenho de negar alguma “comida de adulto” (no nosso caso, laticínios). Mas de resto, tento não ter nada em casa que possa despertar seu desejo mas que não seja apropriado pra ela. Quando ela puder comer o mesmo que nós, o esquema vai ser guardar as tranqueiras pra ocasiões especiais. Mas até lá o paladar dela já vai estar educado e provavelmente ela não vai aguentar mais que um ou dois docinhos…

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Fabiana

Laura almoça e janta a semana inteira na minha mãe. e come certinho. Fim de semana tanto manter o ritmo da alimentação e me desdobro para oferecer uma alimentação. Bom que a gente tb ganha com isso.

Agora, o pessoal quer pq quer oferecer refrigerante a ela. Gente, ela tem só 1 ano?????? Faço cara de brava e não deixo. Um dia ela ira provar ( e amar). Mas por eqto, acho muito cedo.

Bjos.

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Andrea Fregnani B Rosa

Olá, aqui em casa nós mudamos nossa alimentação mesmo antes da nossa pequena chegar, ainda antes da gravidez, ela só tem 6 meses, mas aqui em casa não entra comida industrializada, doces, e não existe fritura, não vamos nuca proibir ela de comer “porcaria” mas dentro de casa, no dia a dia, só comida saudável. Adorei o post 😉
bjs

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Igor Leal

Concordo plenamente com o que escreveram! É muito fácil falar que seu filho não come direito, enquanto abre um pacote de Baconzitos com uma latinha de Coca-Cola…

Eu e minha esposa já vínhamos mudando nossos hábitos há muito tempo, mas depois da chegada da Beatriz e agora do Theo, temos sido cada vez mais rigorosos com o que colocamos na nossa despensa.

Parabéns pelo ótimo texto!

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Comer para Crescer

Pati, excelente texto e um ótimo raciocínio. Tenho a mesma impressão que você: os pais falam de boca cheia na porta da escola sobre o método pedagógico na sala de aula, cheios de conhecimento, mas chegam em casa e dão nuggets para o filho comer. Dar de comer e oferecer comida saudável é difícil sim. Mas não é a prioridade de muitos adultos por aí…
beijos

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Roberta

Poxa, meninas, muito interessante. O meu filho es†á com dieta de restrição a leite e por muitos momentos eu me peguei comendo queijo na frente dele. Resultado: ele ficava só olhando, e para ele era mais difícil encarar a dieta. QUando os pais participam do processo fica tudo mais fácil. Claro que é difícil. Muito difícil. Mas acho que um pouco de colaboração cai bem em todas as famílias, principalmente se estão passando por crises ou mudanças! Beijos!

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Telma Maciel

Realmente, a culpa é nossa! Sofia começou a tomar refrigerante ainda bebê, não porque eu tivesse oferecido, mas pq meu padrasto deu. Eu briguei na época, mas morava com minha mãe e padrasto… lá era coca cola todo almoço, balas todo dia e nada de verduras e legumes e frutas. Eu DECIDI mudar! Por mim e para ser exemplo pra Sofia. E não é que aos poucos eu vejo mudanças beeeem gradativas? Ela já não tem necessidade de refrigerante todo almoço e experimenta os sucos que tomamos (natural ainda não, mas vai chegar lá!) e já aceita a cebola no arroz e no feijão. Aos poucos vou incrementando tudo… espero mesmo é que ela siga o nosso exemplo (meu e do meu marido) e comece a experimentar as coisas!
Ótimo mesmo esse post! Qndo os pais começarem a perceber que a culpa é do que eles trazem do supermercado, pode ser que a alimentação infantil melhore bem!

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Paolla

Eu comprei a Época por causa da matéria de capa e ADOREI. Já cansei de falar para vários pais e mães, orientar a alimentação dos bebês e ouvir, na consulta seguinte “ah… mas ele pediu um sorvete…” – quando a criança tem NOVE MESES. Aqui em casa não falta legume e verdura (o que me obriga a fazer feira 2 ou 3 vezes na semana), um tipo de carne cozida ou assada, fruta e, para beber, água (porque não gosta de suco que a mamãe faz, mas bebe o da creche, que também é natural…). Refrigerante ela nem sabe o que é (mas sabe o que é Coca só de ver, maldita propaganda), doce só de fim de semana, e pirulito ela acha que é brinquedo.

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simone

Pat, adorei a materia, mas em minha casa ainda tenho problemas, meu filho de 7 anos não come comida que não seja feita por mim. Por isso tenho muitos problemas quando viajo, e alem disso come tudo em pratos separados e não come nada que tenha caldo, macarronada então nem pensar, e eu e meu marido nos alimentamos muito bem, todos os dias temos saladas e legumes a mesa e até pesso pra ele experimentar mas dai a briga começa. Ele nem põe na boca, por isso fica dificil introduzir legumes e verduras em suas refeições. Mas ainda tenho a vantagem de que ele não gosta de doces nem bala o que as vezes ele toma é sorvete, mas não tenho problema com guloseimas.
Obrigada pelas materias, adoro recebe-las elas me ajundam pra caramba. Bjs.

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Johnny Quintino

Olá Patrícia, muito bom este espaço aberto por vc, parabenizo sua iniciativa, é de grande valia, nesta luta diária para cuidarmos com amor de nossos filhos. Estou me deparando com uma situação que gostaria de compartilhar com você e obter auxilio através dos comentários. Tenho um filho que esta com o trigliceridio muito alto, ele só tem 6 anos, desde que descobri, mudei meus habitos alimentares e tirei tudo da minha casa que prejudicasse sua saude, antes era eu e ele apenas, hoje me casei novamente e minha esposa tem uma filha, por conta disso sempre é comprado alimentos prejudiciais ao meu filho, isso esta me deixando preocupado, pois sei que teremos problemas. Meu desejo é que nao fosse comprado tais alimentos, porem econro resistencia Em minha esposa, Como conciliar esta citação, gostaria se possível de saber relatos de casos semelhantes caso existam. Obrigado

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Comer para Crescer

Oi Jonhhy.
Sua situação é delicada mesmo. Não tivemos ainda nenhum relato de caso semelhante aqui no blog. Gostaria de pedir a sua autorização para compartilhar o seu caso com um grupo de médicos e especialistas em nutrição infantil, sem revelar nomes, assim como nos grupos de mães que participo. O seu filho vive uma situação muito parecida com a de crianças diabéticas. Acho muito injusto crianças terem doenças de “adulto”. Na verdade acho bem cruel, pois a infância é a fase da descoberta de tudo, inclusive das delícias comestíveis da vida, pois quando a gente envelhece essas doenças surgem e precisamos viver num mundo de restrições. Mas o mundo ideal nem sempre convive com o mundo real e sendo assim as adaptações são necessárias. Abrir mão, ceder um pouco aqui e acolá também. Sempre acredito que com amor, carinho, paciência e argumentos concretos vamos derrubando barreiras e resistências. Mas há algo que gostaria de propor como reflexão (que acho vc já fez): imagine que sua enteada seja, na verdade, seja sua filha verdadeira, de sangue, e que não tenha o problema do irmão. O quanto você acha que ela, criança, teria de ceder, de ser incluída em uma dieta bastante restritiva por causa do problema que não é dela? Por outro lado, o tratamento só dá certo quando todos da família colaboram.
abs e boa sorte!

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Carol

Fantástico o texto!
Minha filha segue os exemplos que tem, é muito claro. Quando está em casa não tem porcarias a disposição e se alimenta muti bem. Fora de casa o exemplo não é só dos pais, tem outros para observar, mas prevalece o equilíbrio: até pode comer umas batatinhas, mas umas, não todas! Mas refrigerante, nem pensar. Tenho a esperança que ela continue o meu exemplo e não seja fã… Mas é uma luta diária!

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