Fudges chocolatudos e cheios de afeto

fudge chocolatudo

O balé clássico é um grande amor em minha vida. Me apaixonei por este estilo de dança  aos 7 anos, quando comecei a fazer aulas numa academia de bairro. No começo, era algo sem pretensão. Apenas uma atividade física. Mas a união entre música clássica e movimento corporal me impactou de tal forma que não consegui mais largar.

Na adolescência, integrei um grupo de dança, o Ilusão e Vida, na mesma academia onde comecei a fazer a aula, com a mesma professora e, praticamente, as mesmas colegas de aula.

Fazer parte desse grupo deixou marcas profundas em mim. Foi nele que fiz os mais importantes laços de amizade, foi onde também aprendi a ter comprometimento, responsabilidade e resiliência. Tudo comandado pela professora-mestre Luciana Camilla Pupa, nossa grande mentora e responsável pela construção desse grupo.

Aos 15 anos, eu estudava pela manhã, fazia 90 minutos de aula de clássico no início da tarde, dava aula em seguida e ensaiava quase duas horas à noite. Eu também tirava um tempo para estudar e ajudar a minha mãe deixando um arroz pronto ou um legume cozido.

Era uma rotina puxada, mas não lembro de reclamar porque fazia o que eu amava: dançava, dançava e dançava.

Aos 18 anos, a idade adulta bateu às portas da minha vida e o balé teve de ser colocado num lugar muito especial na minha estante imaginária para dar espaço à rotina de estudos para vestibular e as obrigações de um emprego que pudesse pagar meus estudos. Infelizmente, algo que o balé não podia fazer. Foi com muita tristeza que abandonei o amor da minha vida.

O balé ficou na estante. Nunca mais entrei em uma sala de aula de balé. A vida seguiu.

23 anos se passaram e retomei contato com as amigas do Ilusão e Vida. No primeiro reencontro, notei o quanto nossas aventuras e desafios como bailarinas amadoras marcou nossas vidas para sempre.

Podemos ficar anos sem nos ver de novo, que a cada reencontro, tenho certeza, haverá no ar um invisível e imensurável afeto presente. Carinho construído nas coxias e nos palcos de dezenas de teatros, onde nos apresentamos por São Paulo, num tempo, a adolescência, associado a rixas, desavenças, e em uma atividade marcada pela competitividade.

fudge chocolatudo

No feriado de finados, nos reencontramos para um churrasco em família. A Lalá, a Larisa, trouxe um doce que eu já tinha ouvido falar, mas nunca havia comido: o fudge.

Gente, que delícia de doce. Um pedacinho de “torrão” chocolatudo que ao ser colocado na boca, derrete tomando todos os espaços. Pedi a receita, é claro!

Ela contou que era da Simone “Chocolatria” Izume. Corri no blog da mestre chocolateira para anotar as medidas e fiz a receita. Essa minha primeira versão não ficou como o da Lalá. Mas foi aprovadíssima pelo meninos daqui de casa.

Para mim, essa receita tem um sabor a mais: de afeto, de amizade, de carinho porque experimentei num reencontro com a minha história. Como dizem pela internet, nesse fudge há muito amor envolvido.

O fudge

O fudge é facílimo de fazer e usa poucos ingredientes. A receita básica leva leite condensado e chocolate.  A receita que a Lalá apresentou tem ainda caramelos (usei os da Embaré) e castanhas, o que dá uma crocância interessante aos delicados torrões chocolatudos.

Como o leite condensado e os caramelos são muito doces, preferi usar barras de chocolate com 40% de cacau e também algumas com 60% cacau para tentar reduzir a doçura.

Muito versátil, o fudge pode receber qualquer complemento. Vi uma receita de fudge com pretzel!!! A consistência macia lembra os nossos doces de leite em barra.

fudges chocolatudos

Os fudges chocolatudos e macios

Receita de fudge chocolatudo

Ingredientes:
450 gramas de chocolate meio amargo
1 lata de leite condensado
17 balas de caramelos
1 xícara de castanhas picadas (usei xeren, a castanha de caju quebrada)
1 pitada de sal
 
Modo do Preparo
1 – Coloque o chocolate em um refratário grande e leve ao microondas por 2 minutos na potência média por cerca de 2 minutos ou até que esteja derretido. Reserve.
2 – Em uma panela funda coloque o leite condensado e os caramelos. Leve ao fogo baixo até as balas derreterem.
3 – Misture o leite condensado no chocolate, acrescente o sal e as castanhas. A consistência é bem pegajosa.
4 – Em um refratrário quadrado e pequeno forrado com papel manteiga, despeje a massa pegajosa, alise e nivele com o auxílio de uma espátula.
5 – Leve à geladeira até ficar bem duro. Retire da forma com a ajuda do papel manteiga. Corte em quadrados do tamanho que desejar. Caso deseje, polvilhe com cacau em pó.
6 – Guarde em pote e mantenha na geladeira ou no freezer.

Beijos,

Patricia

2 Comments

Anapaula Bergamo

Amei o texto. Amei ter feito parte da sua adolescência, do Ilusão e Vida e do nosso reencontro.

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