Frango Sadia: BRF esclarece dúvidas sobre seu produto

frango sadiaA BRF, empresa detentora das marcas Sadia e Perdigão, convidou jornalistas para uma roda de conversa em que poderiam tirar todas as dúvidas a respeito do frango Sadia, produzido pela empresa. Se tem hormônio; se tem antibiótico; se come ração geneticamente modificada; se são criados presos, soltos ou confinados em gaiolas; se são felizes; se sofrem no abate, mas acima de tudo, para mim, se a empresa vende um produto de boa qualidade.

 

Já vou avisando que consegui fazer todas as perguntas que gostaria. Não fui censurada, vetada, ignorada. Perguntei sobre tudo que citei acima, dúvidas que costumam estar presente nas discussões de mães sobre a qualidade do frango oferecido aos filhos. Não refutaram a nenhuma. Acrescentaram outras informações importantes. Saí do encontro satisfeita.

 

Listo abaixo os pontos que mais me chamaram a atenção:

 

1) Com hormônio ou sem hormônio?

 

Como já escrevi em um post anterior sobre hormônios no frango, foi esclarecido que o frango brasileiro, não apenas os da BRF, não tem hormônio por uma impossibilidade técnica: hormônio de crescimento precisa ser injetado, via agulha. Como azer isso em milhões de frangos? É impossível. Além disso, foi comprovado por pesquisas, que os hormônios de crescimento, para os frangos, não são eficientes. O organismo da ave simplesmente não o sintetiza. E também é proibida por lei desde 1976.

 

O frango brasileiro cresceu de tamanho muito nas últimas décadas por causa de melhoramento genético. A BRF compra matrizes de frangos de apenas 3 fornecedores mundiais. Compra as melhores matrizes, que geram as melhores galinhas que vão produzir os melhores frangos. Essas galinhas não ficam confinadas em gaiolas, pois não são galinhas de postura, ou seja, galinha de por ovos. Vivem em galpões climatizados, têm ninho para colocar os ovos. Comem, dormem no melhor ambiente possível. Têm vida de rainhas! Sem estresse para produzir ovos que geram pintinhos saudáveis que terão carne de peito bem macio (hehe!).

 

Uma das nossas leitoras perguntou por que, então, a Sadia não informa na embalagem que o frango deles não tem hormônio. Porque a legislação brasileira não permitia até o mês de abril de 2014, quando o Ministério da Agricultura autorizou a inserção da frase “SEM USO DE HORMÔNIO, COMO ESTABELECE A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA” no verso na embalagem, sem selo, sem destaque.

 

2) Comem ração transgênica?

 

Sim. A veterinária Patrícia Tironi Rocha explicou que seria impossível alimentar os milhões de frangos criados pela BRF sem que os grãos fossem transgênicos. Não haveria ração suficiente. A ração oferecida aos frangos BRF é produzida nas fábricas da empresa para que se tenham maior controle. Sabe aquela coisa de fazer a granola em casa? A lógica da produção da ração dos frangos da BRF é a mesma: eles compram os grãos e fazem a mistura em “casa”.

 

(Sobre a minha preocupação com a transgenia da ração oferecida às aves, se faria mal ao organismo humano, poderia provocar câncer entre outras doenças, o zootecnista Antonio Gilberto Bertechini, professor titular da Universidade Federal de Lavras e pesquisador do CNPq, explicou que todo pão, caseiro ou não, produzido no Brasil é feito com trigo transgênico há 25 anos. Mesmo se o trigo é orgânico, a semente dele é transigência. Ou seja, como transgênico há quase metade da minha vida e não sabia! Por enquanto está tudo bem! Na verdade, ele deu esse exemplo para tranquilizar sobre a segurança alimentar dos transgenico).  

 

Mas voltando…

 

3) E o tal antibiótico?

 

No meu post sobre o Mito do frango com hormônio, eu questionava sobre o uso de antibióticos nas aves. Escrevi que alguns criadores tradicionais colocam melhoradores de desempenho animal nas rações. São os antibióticos desenvolvidos para uso animal. O uso dos melhoradores de desempenho animal seria usado para evitar que os galetinhos não tenham diarréia, não fiquem doentes e cresçam o que precisam no tempo necessário.

 

O uso dos antibióticos é permitido pela legislação brasileira. Os produtores não fazem por debaixo dos panos. Não é ilegal. E só podem usar antibióticos que não tenham similar ou que não tenham uso em humanos.  O diretor de qualidade da BRF, Ralf Piper, disse que a BRF, porém, não utiliza antibióticos sempre. Apenas para tratar o que está doente e na prevenção de um grupo de aves que tenham tido contado com o galinho doente. “Não queremos utilizar nada (de antibióticos) porque a natureza já nos dá alternativas de tratamento dos animais e também porque o uso dos antibióticos tem um custo (alto) para a empresa.” Quando ele se refere à natureza, explicou que já existem alternativas de antibióticos naturais, como enzimas, prebióticos, probióticos, óleos essenciais, que são utilizados no tratamento dos animais, quando necessário.

 

Essa foi a parte da conversa que mais me surpreendeu. Então, quer dizer que a BRF, empresa que abate 7 milhões de frangos diariamente (desses 48% dos exportados), consegue produzir um frango sem antibiótico, criado com segurança, sem contato com mundo externo, apenas o do galpão, o que lhe garante um ambiente praticamente estéril (livre da gripe aviária, por exemplo, risco a que são expostos frangos criados soltos, ao ar, ao vento, ao relento, aos vírus e bactérias) e praticamente sem melhoradores de desempenho sintéticos?

 

Sim, disse o zootecnista. Por uma razão muito simples, minha querida leitora: briga pela liderança de mercado. Cerca de 20% do frango consumido no mundo é da BRF. Exportam para EUA, Europa, Ásia. Todos os continentes. Para entrar no mercado europeu, o frango brasileiro, não apenas o da BRF, é submetido, segundo o professor, a teste milimétricos (PPB – partes do bilhão) de qualidade. Além disso, a legislação brasileira para a produção e comércio de aves é a mais dura do mundo, segundo o zootecnia, que completou dizendo que as conquistas e melhorias do setor estão anos-luz à frente da de suínos e muitos muitos muitos anos-luz da de bovinos; que a qualidade da carne de frango produzida e vendida do Brasil é excelente. O diretor da Sadia explicou que há técnicos do Ministério da Agricultura dentro das fábricas de processamento da BRF para supervisionar a produção. Isso nos dá um pouco a dimensão e importância da BRF do mundo e para a economia brasileira, para a balança comercial e esses paranauês, aí! Imagina se os europeus pegam uma carne de frango com antibiótico, suspendem as importações. Quem está sempre tendo problemas é a carne bovina, com problemas de febre aftosa, não os suínos nem as aves brasileiras.

 

4) Sadia e Perdigão têm o mesmo frango?

 

Sim. A produção é a mesma. O padrão é o mesmo. Só a embalagem e o preço que mudam!

 

5) Frango resfriado ou congelado?

 

Para o Ralf, melhor consumir o congelado.  E aqui tem uma explicação técnica. No caso dos frangos da BRF, há um padrão rígido de processamento das aves, que saem de uma temperatura de 42 graus para 4 graus e depois para -18 graus sem que ocorra nenhum dano nas estruturas da carne. Além claro, sem que a carne estrague, corra o risco de ser afetada por alguma bactéria.

 

Já a carne resfriada tem esse risco, segundo Ralf

 

Questionado sobre o sabor da carne fresca, resfriada e congelada, Ralf concordou que o sabor da primeira é de fato melhor, mas ela deve ser consumida logo após o abate, por segurança alimentar. Entre a resfriada e a congelada, ele consome sempre a segunda.

 

6) Frangos sofrem no abate?

 

Segundo Ralf, não. O zootecnista concordou. Disse que os animais não sentem estresse, pois a sala anterior ao abate tem um ambiente igual ao do galpão onde passaram boa parte da vida. Ele completou que vários estudos têm demonstrado que não existe diferença na carne entre frangos criados confinados nos galpões com ambiente controlado e os frangos criados soltos.

 

7) Qual a razão de tanta desinformação a respeito do frango?

 

Nenhuma deles soube explicar quando o mito do frango do hormônio começou, mas concordam que é uma informação presente, inclusive entre médicos e nutricionistas. A BRF começou esse ano um trabalho com 4 mil profissionais da saúde de vários Estados brasileiros. Descobriram, por meio de uma pesquisa feita com médicos e nutricionista, que falta entendimento, informação e esclarecimento entre esses profissionais. “O trabalho é de longo prazo e com várias especialidades”, afirmou Marcelo Assaf, gerente-executivo da BRF.

 

Participaram do encontro:

 

O diretor de qualidade da BRF, Ralf Piper.

 

A veterinária da BRF Patrícia Tironi Rocha.

 

A diretora global de marcas da BRF, Andrea Napolitano.

 

O gerente executivo global de marcas da BRF, Marcelo Assaf.

 

Além de Marcos Caetano, diretor de comunicação da BRF.

 

Também foram convidados pela Sadia, dois profissionais para esclarecer outras dúvidas:

O zootecnista Antonio Gilberto Bertechini, professor titular da Universidade Federal de Lavras e pesquisador do CNPq, com experiência em Ciência Animal, ênfase em Exigências Nutricionais e Metabologia dos Animais, que nos explicaou um pouco mais sobre a evolução na criação a qualidade do frango encontrado hoje no mercado.

A nutricionista Heloísa Guarita PadilhaDiretora técnica da RGNutri Consultoria Nutricional, especialista em Nutriçăo Esportiva pela Associaçăo Brasileira de Nutriçăo e mestre em Psicobiologia pela USP, que nos falou mais sobre a importância da carne de frango em uma dieta equilibrada.

É isso!

Beijos,

Patricia

6 Comments

Maria Teresa

Patrícia, só hoje li seu post, mas vc está de parabéns! é importantíssimo utilizar informações corretas para esclarecer as pessoas,principalmente nesses dias de internet. Continue assim!

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admin

Oi Maria Teresa,
Obrigada.
E esse assunto sobre o frango tem muita informação equivocada!
Abraço

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JC de Castro

Prezada Patricia.
Transgênicos geralmente são aqueles que podem ser borrifados com um poderoso herbicida de nome glifosato que mata todas as pragas, menos a soja, trigo, etc. O glifosato se concentra nos grãos e parece ser inócuo para o homem.
Mas nem este e nem os antibióticos “especiais” citados são inócuos para nossa Flora intestinal.
Aí que está o problema. Nossa relação com o nosso microbioma é simbiótica. Coincide com a introdução dos transgênicos a meteórica escalada dos males modernos, como obesidade, diabetes, sindrome metabólica,só para nomear alguns dos males modernos.
Gostaria de sugerir para alertar seus leitores sobre isso, e darem preferência ao frango criado livre com alimentação natural.
A amamentação e parto naturais parecem ser os melhores meios para implementar um bom microbioma no recém nascido, mas a mãe deve ter um bom pra passar para seus rebentos

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Solles Augusto Rovaris

Patricia! Estou estudando sobre aviários e acabei lendo seu blog, gostei das informações. Concordo também com JC de Castro, que melhor seria o frango criado livre, porém para achar algum frango criado livre e com qualidade ta difícil. Continuarei lendo seu blog. Parabéns.

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rodrigo braz tanajura

Ola Patricia,
você não é obrigada a saber por que não é da área, más os frangos produzem hormônios naturais em seus metabolismos para desenvolverem tão rápido, más é endógeno, tanto é que na linha de abate na inspeção os testículos dos frangos machos são o dobro dos testículos dos galos caipiras, os teores alto de proteínas das rações elevam esses hormônios aliados a seleção genética para precocidade. Quanto a antibióticos, mesmo eles não sendo os mesmos usados nos seres humanos deixam sequelas nas carnes conforme todos s trabalhos científicos publicados no google escola. E os frangos sofrem muito ao serem abatidos, única maneira que sofreria menos era pela sistema de pressão negativa que é realizado nos EUA onde as aves sã desmaiadas antes da pendura e sangria.
Rodrigo tanajura Médico veterinário Mestre em bem Estar Animal.

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cecilio

Vai la patricia e observe como e preparada a raçao que vai ver… 1000 tipos deferentes de remedios..

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