Espante a preguiça e amamente

Parei de amamentar no seio há anos. Confesso que não sinto mais saudade. Meus filhos passaram a rejeitar o leite quando tinham entre oito e dez meses. Ficavam inquietos quando eram aconchegados no colo e eu lhes oferecia meu seio. Viravam o rostinho, esticavam o pescoço para trás. Utilizavam técnicas de fuga.
Se pudessem, gritariam: SO-CO-RRO, me tirem daqui!!!!
A transição deles para leite de fórmula foi tranquila. Não derramei uma lágrima pelo fim do aleitamento no seio. Tive uma grata sensação de libertação.
Mas amamentar meus filhos exclusivamente pelo maior período que uma mãe que trabalha fora consegue sempre foi a minha meta. Jamais desejei o contrário. Acho que toda mãe (salvo as que não podem amamentar por algum problema de doença ou pela prematuridade do bebê) tem a obrigação de oferecer só o leite materno (e apenas ele) pelo maior tempo possível.
A licença-maternidade dá a oportunidade de a mulher ficar 120 dias com o bebê. Então, se vira, se dobre em duas, mas dê apenas e tão somente o leite que jorra do par de seios que estão aí!
Olhando os números do Ministério da Saúde sobre aleitamento materno exclusivo no Brasil passei a ser intolerante com a mulherada que, ao menor de dificuldade, recorre à mamadeira, aos chazinhos, à agua.
Os números:
“Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que quase todas as crianças brasileiras (cerca de 97%) iniciam a amamentação no peito logo nas primeiras horas de vida, mas permanecem mamando por um período curto. Segundo o órgão, a média de aleitamento materno exclusivo da população brasileira, em 1999, era de 23 dias e do aleitamento materno era de 9 meses e 9 dias.”
A pesquisa é de 1999. É velha. Concordo. Mas uma hecatombe não aconteceu no país para indicar que de lá pra cá todas essas crianças (97%) passaram a ser amamentadas exclusivamente no seio materno nos primeiros seis meses de vida.
Minha intolerância com as mães decorre desse fato citado acima. Nada me convence que há uma certa preguiça no ar. Amamentar demanda paciência, dedicação, desprendimento e perda de liberdade. Você precisa estar disponível para o seu filho. O alimento tem de ser na hora que ele quer e não no momento que a mãe pode.
Além disso, amamentar é díficil? Puxa vida, como é! Amamentei dois e sei muito bem como os seios podem ficam lacerados, como o desencontro entre uma mãe que nunca amamentou e um bebê que nunca sugou um seio pode ser estressante.
Parece que o leite não sustenta, que é fraco? Sim. Tive dias de ter a nítida sensação que, se eu desse um prato de arroz com feijão, os meninos ficariam felizes e satisfeitos.
A questão é que o leite materno é digerido rapidamente e, portanto, a fome vem mais rápido.
Apenas o ganho de peso, ou melhor, o não ganho de peso do bebê dentro do esperado justifica complemento com fórmula.
Se o ganho de peso do bebê está ok, esqueça a água, o chá, o mel na colher. Deixe a preguiça, o nhem-nhem-nhem-nhem de lado e coloque seu filho no seio. Aproveite, relaxe, curta. Dura tão pouco. Passa tão rápido. Seu filho passará apenas seis meses mamando exclusivamente no seu seio. Se ele viver 75 anos (que é a expectativa de vida do brasileiro), passará os próximos 74 anos e seis meses comendo.
Ele (e você) merece esse tempinho exclusivo!

Aqui um video bacana da Parents TV com dicas sobre a amamentação. Desculpem por ele estar em inglês. Se eu achar uma versão legendada, eu troco.

Beijos da intolerante Pati.

3 Comments

Comer para Crescer

Eu concordo plenamente com a Pati. Esqueça essa história de que amamentar é algo natural. Vai ser. Mas você vai ter de aprender, treinar, praticar. Até lá, vai ter dor, preguiça e bebê chorando de fome exatamente quando você senta para comer, ou quando está num ótimo papo com a amiga, ou no último capítulo da novela. Sabe o que eu fiz para driblar essas situações? Aprendi a dar de mamar não apenas naqueles momentos bucólicos, sentada em um quarto com meia luz, mas também comendo com uma mão só (se eu realmente estava morrendo de fome), falando ao telefone (se o papo realmente tivesse bom) e assistindo TV (desde que o programa fosse realmente imperdível). Não sei se agi bem, mas amamentar virou um prazer que me deixa saudades!
beijos

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AdriGarcia

Meninas, parabéns pelo blog, promete ser muito útil!
Eu amamentei a Martina exclusivamente até os seis meses e continuo fazendo isso duas vezes por dia (amanhã ela faz 14 meses). Pois é, tô tentando seguir a recomendação da OMS, de amamentar até os dois anos. Ela ama, nem que seja só pra chupetar. Acho que vou sentir muita saudade do contato quando pararmos… O pior é que fico meio com vergonha de falar pras outras pessoas isso, aqui nos EUA todo mundo para bem cedo. Uma pena.

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Comer para Crescer

Oi, Adri.
Que bom que gostou do blog. Boa sorte em sua meta. Lutar contra a maré é f… mesmo. Ás vezes temos de fazer cara de paisagem, ouvidos de mercador para nos defender. Algo meio absurdo quando se fala em amamentação. Não esmoreça jamais!!!!!! Hehehe
E apareça sempre. Colabore em todas as vezes. Precisamos das mães compartilhando informações, anseios, difilculdaes e descobertas.
Beijos da Pati

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