Sobre BLW e bebês que comem de tudo

Crédito da foto: Wild and Wisdom

Em outubro de 2009, quando publiquei o post abaixo (editado), nunca tinha ouvido falar na sigla BLW, mas já curtia a ideia de deixar as crianças comerem com as mãos, pegaram a própria comida, na quantidade que quisessem:

“A Lúcia, filha da minha querida amiga Ana e do Renato Kaufmann (do Diário Grávido), quando era pequenininha, devorava kappamakis, aqueles enrolados de arroz japonês, pepino e alga. Num vídeo postado pelo Renato, certa vez, ela comeu três desses enroladinhos. 
Além de fofo, o vídeo chamou a minha atenção também porque:
– crianças comem de tudo desde que a gente dê comidinhas para elas sem preconceito e frescura;
– crianças amam pegar a comida com a mão;
– crianças curtem comida japonesa porque dá para pegar com a mão, as porções são pequenas e colocadas em potinhos e é gostosa. Ou seja, é uma comida lúdica, não vem em prato fundo nem em quantidades industriais e, de quebra, é saudável.”

 

Em 2009, imaginava que uma criança com mais de 1 ano podia fazer isso sem problemas. Mas não um bebê. A técnica Baby Led Weaning indica essa ação para bebês que estão desmamando. É um método diferente de apresentar alimentos sólidos a bebês. Pelo que entendi (e explicando de uma maneira bem simples), é uma forma de oferecer vários tipos de comidinhas (tanto frutas quanto salgados saudáveis) no formato que um adulto seria capaz de comer com as mãos, claro. A ideia é ir estimulando o bebê a se acostumar com sabores e textura novas enquanto o aleitamento materno -ou complemento de fórmula- é a principal fonte de alimentação do bebê, pois nessa fase os sólidos são alimentos complementares. Outro aspecto fundamental, importante, do BLW é que bebê deve sozinho levar a comida à boca. Para isso, o alimento precisa ser cortado em tamanhos que ele consiga pegar, como em tiras, em palitos (algumas mães indicam inclusive deixar a casca do alimento para ser mais fácil de o bebê pear). Os salgados, como legumes, devem ser levemente cozidos. Não podem ficar muito moles, pois o bebê precisa ser estimulado a aprender a mastigar, algo que ele ainda não sabe. Ele sabe apenas sugar, como no vídeo que post abaixo, que mostra um bebê de apenas seis meses comendo uma coxa de frango. Pode parecer assustador, mas o bebê não engasga.

 

Se o bebê engasgar, os pais não podem entrar em pânico. Como ensina Simone de Carvalho, do Aleitamento Materno Solidário e apoiadora da BLW, o engasgo é previsto no BLW e educativo para o bebê descobrir técnicas de como “sair dessa situação”, como por exemplo, mastigar a comida, mesmo com gengiva nua, sem dentes.

Aqui, um vídeo menos aflitivo sobre BLW.

E, para mim, o melhor vídeo de BLW de todos: a primeira semana de alimentos sólidos de uma bebê. Ela comeu mais do que eu! Hahaha! Prestem atenção para as “mensagens” que o corpo da bebê emitia quando ela provava os alimentos.

Enfim,  como definiram as autoras de um estudo sobre a experiência de mães neozelandesas com a BLW: “É uma abordagem alternativa para a introdução de alimentos complementares para crianças que enfatiza a auto-alimentação da criança, em vez do controle do adulto com a colher”.

A inglesa Gill Rapley, que criou a expressão BLW, defenda a técnica explicando que ela funciona melhor que a da papinha/purê porque os bebês são curiosos, desejam independência e quando você permite que eles explorem o alimento à maneira deles, isso faz com que fiquem felizes e receptivos ao alimento.

Para Gill, bebês acostumados com BLW não precisam de papas. Vão direto para a comidinha com consistência, no prato, com talheres, algo que ocorre numa segunda etapa, que pode demorar.

Mães maníacas por limpeza, um alerta: a BLW faz muita sujeira, como puderam ver no vídeo. Gill indica que o bebê deve ficar num cadeirão perto da mesa. Mas há uma corrente indicando que pode ser deixado livre, sentado no chão, por exemplo. As mães que decidirem adotar esse estilo “indiano” de fazer a refeição precisam lembrar que em algum momento a criança precisa ser ensinada a comer à mesa. Eu acho que isso deve ser feito desde o começo, inclusive porque como existe risco de engasgo, uma criança ereta consegue com mais facilitar sair desse desconforto do que a que está no chão. Outra razão para mantê-la no cadeirão: bebês de seis meses adoram explorar o ambiente, podem rolar pelo tapete e passar banana em todos os lugares (hehe!)

Para quem deseja saber mais sobre BLW, AQUI tem as diretrizes criadas por Gill Rapley. Recomendo a leitura antes de adotar a técnica, principalmente a do capítulo “o que fazer e o que não fazer” que diz, entre outras coisas, “não ajude o bebê colocando comida NA boca dele. A comida deve ser colocada na mesa à frente dele.”

Converse também com o pediatra da sua filha e filho. Mostre o estudo, caso ele ainda não conheça. Informe-se bastante e muito cuidado com a qualidade dos alimentos oferecidos. Os bebês devem comer somente alimentos frescos. Nada de industrializados, biscoitos, bolachas e etc.

Os relatos que li na internet sobre a técnica são muitos positivos e ela me pareceu mais natural ao desenvolvimento infantil do que o clássico prato, colher e papa em consistência de purê aos 6 meses, pois comer é também uma experiência sensorial.

Beijos,
Patricia

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