Ele só quer cardápio de comida de festa!

Cá estou eu, de novo, choramingando. Desculpem, mas é que nos últimos dias o paladar do Miguel tem estado simplesmente irritante. Há duas semanas o menino-melancia não come direito. Apenas enrola. Sei lá se é o frio (que gela a comida rapidamente), se está enjoado de comer sempre no mesmo ambiente ou se está testando a nossa paciência (minha e de maridão), mas o fato é que o paladar do Miguel está tão restrito quanto já esteve o da Isabella, o da Úrsula, o da Clara (da Claudinha, do Feito à Mão) ou o de tantas crianças que comem bem e, de uma hora para outra, optam pelo cardápio de festa, aquele lá, sabe qual é, né, que predomina o carboidrato, o açúcar!

Vou falar uma coisa: esse comportamento do paladar infantil é irritante! Tem horas que perco a compostura e resolvo a pendenga na base da ameaça: “Miguel, se não comer duas colheradas, não sai da mesa!”. É horrível, eu sei. Mas o que eu faço com o menino que vai para a escola, de manhã, com a barriguinha praticamente vazia, mal come UMA fruta e só quer saber de alface e cenoura e chocolate e biscoitos e balas e afins? Faço o discurso do bacana da comida, levo para a cozinha para, junto comigo, fazer alguma comidinha diferente, digo que ele não vai crescer, mostro como o irmão come legal (a comparação é outra estratégia horrível também!), mas não adianta, o paladar continua preguiçoso.

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Então, se você está preocupada que o filhote ou a filhota não vai receber todos os nutrientes necessários na transição do desmame para a papinha ou na transição da papinha para a comida da família, o que posso dizer é que isso tem grande chance de acontecer porque as crianças têm vários períodos de inapetência ao longo do ano. Sorry! A fase é de desanimar mães e pais mais atentos e genuinamente preocupados com a qualidade da comida dos filhos. Mas não desistam nem se rendam ao caminho mais fácil: dar à criança somente o que ela quer. Uma batalha pode ser perdida de vez em quando, jamais a guerra!

A criatividade para sair da mesmice pode ser uma boa estratégia para burlar a inapetência. Outra tática é perguntar à criança o que ela deseja comer entre os alimentos saudáveis oferecidos. Se for ovo, que seja ovo. Mas não ofereça a proteína no dia seguinte ou, se não tiver jeito, pelo menos mude a maneira de fazê-la! Se não for nada, que seja nada! Recorrer ao piquenique no tapete da sala ou às comidinhas para comer com as mãos talvez sejam saídas interessante.

Então, lá vou eu levar o Miguel para a cozinha. Mas antes deixo aqui uma lista de posts que fizemos com ideias e cardápios para superar a fase do pouco apetite infantil.

beijos e me desejem sorte,

Patricia

20 soluções para seu filho amar comidas saudaveis

comidinhas para comer com as mãos – 1

comidinhas para comer com as mãos – 2

eles curtem mais os legumes e as verduras cruas. será?

crianças que comem feito passarinhos

como reeducar a alimentação dos filhos

mesa: um lugar de negociações



10 Comments

juliana

Patricia,
O meu Pedro, de 3 anos, sempre foi assim. Não se trata de uma “fase”. Já tentamos de tudo e a coisa é complicada… A sorte é que ele ainda topa encarar umas sopinhas à noite (de vez em quando)…

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Comer para Crescer

Juliana,
espere então os posts na próxima semana. consegui um estudo muito legal sobre crianças com paladar bem restrito. talvez o que o médico diz te sirva de farol. mais um farol, quem sabe?

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Comer para Crescer

ai, será Cris? Eles podiam combinar que agora já é hora de parar, né?

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Comer para Crescer

Pati, nem me fale sobre esse assunto. A Isabella continua com “formiga na cadeira”. Ela demoooooooora para comer. E agora decretou que “já que comeu fruta” pode comer bolacha. O duro é quando a gente está cansada, tem trabalho para entregar e não tem nem forças para explicar porque não deve comer bolachas todos os dias – e confesso, na hora, travando uma luta para transformar palavras em textos bacanas, nem me lembro qual o argumento correto. Ao mesmo tempo, tem dias como ontem, que ela comeu todo o yakissoba no tempo certo, degustou dois kiwis, resolveu brincar de boneca com a irmã, pediu historinha para dormir e dormiu! Nem falou em bolachas ou televisão! Vai entender essas crianças…
beijos

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Ministério da Saúde

Não conseguiu vacinar seu filho? A vacina contra a paralisia infantil ainda está disponível em toda a rede pública do país. Vá ao posto de saúde mais próximo e imunize todas as crianças menores de cinco anos. A poliomielite é uma doença grave e não existe no Brasil desde 1989. Vamos ajudar a mantê-la longe das nossas casas!

Mais informações: comunicacao@saude.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude

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Marilyn

Putz, como é difícil essas fases não… minha pequena de 1 ano e 8 meses as vezes tem ficado assim… fico inventando todos os dias!

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Leticia

Gente, sinceramente? Acho louvável a preocupação com a alimentação saudável dos filhos, mas o fato deles serem enjoadinhos pra comer não necessariamente significa que não serão saudáveis. Vou dar o outro lado da história: o dos filhos. Sempre fui muito chata pra comer, mesmo! Desde pequena adorava coisas salgadas (tipo linguiça frita e salsicha no café da manhã com 3 anos de idade). Nunca gostei de provar coisas novas, especialmente frutas, verduras e legumes. Desde que eu me lembro, refeição pra mim era arroz e carne, às vezes uma salada de alface ou tomate. Nem feijão eu comia. Hoje, com 19 anos, algumas coisas melhoraram. Mas continuo não sendo fã de verdura e legumes. De folhas, só como alface (nada de rúcula e agrão, eca), mas como tomate, cenoura, beterraba….até brócolis eu como (às vezes – e só no yakissoba, com muito shoyo). Mas não gosto de quase nenhuma fruta (como frutas uma vez por mês, na melhor das hipóteses – a menos que venham acompanhadas de leite moça). Não tomo nenhum tipo de suco. E amo coca-cola, McDonalds e porcarias do tipo. Também não como peixe. Mas, por incrível que pareça, nunca tive nenhum problema: nem obesidade, nem falta de nutriente algum, nem nada. Exames sempre normais, a despeito das broncas da endocrinologista e dos meus amigos sobre minha alimentação. Ainda faço cara de nojinho e digo que não gosto de certas coisas sem nem experimentar? Faço. Acho importante mostrar coisas novas, oferecer comidas diferentes, mas sempre dando a opção da criança recusar. E isso inclui obrigar a experimentar. Ficava com tanta raiva quando minha mãe me obrigava a experimentar um pedaço de alguma coisa que eu não queria, por menor que fosse, que engolia sem nem sentir o gosto, e falava “tá vendo? é ruim mesmo, não gosto”. Enfim, criança também tem direito de não gostar das coisas. Mas comer na casa dos amiguinhos/escola também é uma coisa que ajuda muito na hora de experimentar coisas novas. É alimentação saudável e balanceada é importante? É. Mas crianças sobrevivem muito bem sem brócolis. E comer umas porcarias de vez quando não vai matar ninguém. Até porque, depois de uma fase de alimentação meio trash, o corpo acaba pedindo comidas saudáveis, e a gente se entope de salada e verduras e frango grelhado sem ninguém ter que mandar (experiência própria, depois de passar os 2 primeiros meses na universidade almoçando subway, spoleto e McDonalds).

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Comer para Crescer

Letícia,
Meu filho também ama linguiça frita. Se eu oferecer no café da manhã, acho que ele vai adorar. Kkkkkk. Seu apetite matinal me lembra o do Elvis Presley. Dizem que ele adorava pizza no desjejum.
Adorei o seu relato, o lado dos filhos. Aqui no Comer para Crescer a gente também acha que comer umas porcarias de vez em quando não faz mal a ninguém. O problema aparece quando esse “de vez em quando” torna-se frequente. Também concordo contigo sobre o corpo pedir comida saudável. Lembro que quando fazia cursinho não tinha tempo de jantar comida-comida, então acabava recorrendo ao lanches. O resultado: em seis meses ganhei uma tremenda e horrorosa gastrite pelo excesso de consumo de embutidos.
Você não contou se, na sua infância, você era uma criança ativa ou passava boa parte do dia assistindo TV e jogando videogame. O como era o consumo de doces na sua casa? Liberadíssimo, tinha certo controle ou era um esquema mais rígido? Fiquei curiosa com esses detalhes.
Obrigada pelo seu comentário. Adorei.
E, sabe, meu paladar não era muito diferente do seu na minha infância e adolescência, mas minha mãe limitava o consumo de doce. Lembro que eu não tinha muita oferta em casa, não era “doce à vontade”. Quando queria, precisava pedir dinheiro e ir na venda do seu João. O dinheiro também não era farto. A grana dava para comprar apenas um doce. Sempre saía da venda do seu João com um chocolate ou um doce de abóbora ou batata-roxa ou uma teta de nega.
E a minha vida infância foi absurdamente ativa, assim como a adolescência. Eu realmente gastava todas as calorias que consumia.
Talvez você tenha razão sobre a nossa preocupação excessiva em oferecer comida saudável quando o que o filho mais quer é linguiça frita no café da manhã. Por outro lado, essa preocupação se justifica porque meus filhos não precisam ir “na venda do seu João” para comprar um doce. Eles têm em casa e a oferta é bem variada. Enfim, a nossa preocupação tem a ver com o estilo de vida do século 21. Ele mudou radicalmente os hábitos – alimentares e de, digamos, “locomoção” – e a quantidade de crianças obesas, e não apenas gordinhas, é o reflexo dessa mudança. Há excesso de oferta de alimentos calóricos e excesso de falta de atividade, de locomoção, de andar a pé. E isso realmente é preocupante.

beijos
Patrícia

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