Concessões demais?

Estou sempre escrevendo sobre a seletividade alimentar, sobre o quanto a mudança no paladar das crianças nos surpreende e dificulta a elaboração do cardápio infantil.

Mas acho que nunca refleti mais atentamente sobre a parcela de culpa dos adultos na formação do paladar infantil. Na semana passada, pensei sobre essa questão com mais carinho.

Como todos sabem fiquei sem minha cozinheira. Na ausência dela, alguém teve de ir para o fogão. Esse alguém sou eu, que não fui educada para pilotar forno, seja ele a lenha, elétrico ou a gás. Confesso: fiquei bem perdida, principalmente porque tenho passado os dias fora de casa, trabalhando na rua e chegado à noite, cansada e sem inspiração culinarística. Para piorar, ando sem tempo até para fazer supermercado, o que reduz drasticamente as opções de cardápio.

O cansaço e a preguiça afetam de maneira negativa a nossa desenvoltura na cozinha. Nos fazem entrar no piloto automático e achar que tudo que não venha do delivery ou das caixas de comidas congeladas são difíceis.

Por alguns minutos, pensei em encomendar uma pizza, pelo telefone, para comer com meus meninos em plena quarta-feira. Estava sem vontade de cozinhar. Respirei fundo e me recusei a recorrer a tal expediente, até porque na semana anterior havia feito um piquenique divertido na hora do jantar.

credito: cozinha pequena

Fui para a cozinha. Abri o freezer. Tinha carne moída congelada. Joguei o saquinho com ela, fechado, dentro da água fria. Fui tomar banho, arrumar a mesa do jantar e aquecer o arroz e o feijão. Nesse tempo, a carne descongelou. Montei vários hambúrgueres e os fritei.

O cansaço e a preguiça me pegaram de novo na hora da salada. Pensei: “Ai, ainda tenho de lavar o alface? Não, vou não. Ninguém vai morrer se ficar um dia sem comer salada.” Alguns minutos depois, lavei as folhas, cortei o tomate e, pronto, uma refeição simples, porém, minimamente colorida estava posta na mesa. O melhor: demorei 1h45 para prepará-la. Não é muito.

Será que não estamos fazendo concessão demais por causa da preguiça, do cansaço, da novela, do jogo de futebol? Quanto dessas concessões afetam a formação do paladar infantil?
A pensar.

PS: A receita do hamburguer caseiro já publiquei aqui. Se quiser fazer, é só clicar!

beijos
Patricia

6 Comments

Priscila

Oi, Patricia!
Eu não tenho muita habilidade na cozinha e só me empolgo pra fazer coisas bonitinhas em época de festa. O que me salva é que o Gui, de 4 anos fica na escola o dia todo. Almoça e janta lá. O cardápio é preparado por uma equipe de nutricionistas, é balanceado e saudável. Mesmo assim, o Gui se limita a arroz, feijão, carne e frutas. Nada faz ele comer legumes e verduras. A Duda, de 11 meses, fica em casa com a babá, que cozinha especialmente pra ela. Toda semana ela vai à feira e prepara a alimentação dela baseada no que o nutrólogo recomendou. Carboidrato, feijão, legumes, carnes e frutas.
Mas se depender de mim pra fazer comida depois de um dia inteiro de trabalho… ih… a coisa vai ficar feia lá em casa, rs.

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Lia

Pat, pra mim o pior é o problema do supermercado. Cozinhar eu cozinho com todo prazer, e super rápido. Mas sair pra fazer compras é complicado, ainda mais com uma criança de 4 meses em casa e um marido fora o dia inteiro.
O que tem me ajudado é o serviço de verdurão em domicílio. Peço toda semana.
Bjos!

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Paloma

Pati, eu sou a campeã da preguiça na cozinha. Se não fosse o Juan, não sei o que seria de nós. Queria sugerir um post, que me ocorreu ontem, na hora do almoço. É sobre a mesmice alimentar. A Isa gosta de comer sempre as mesmas coisas, nos mesmos horários. E saquei que ela é assim também por conta do meu comportamento, porque eu também sou assim. Queria entender os motivos disso. Se é só preguiça, se é mesmo um hábito instalado. Enfim, aceito sugestões. bjo

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Márcia

Gente,
Paladares, preguiças, jantares…
Queria levantar aqui outro assunto: hábitos regionais, é isto mesmo!
Quando me mudei para SP, (20 anos) estranhei esta coisa de comida salgada a noite…
Sou do sul, Blumenau/SC, e a noite não havia jantar, cardápios, como em SP. Ao meio dia almoçavamos normal, mas a noite foi sempre lanche, ou algo que sobrava do almoço. Os lanches, lembro até hoje eram o máximo, geralmente pão com queijo, cachorros quentes, bolo com alguma coisa a mais. Tanto que depois de um ano em SP tinha aumentado meu manequim em 4 números… Tanto que comia a noite. E lá as crianças, a maioria pelo menos comem lanches, não estes prontos tipo Mc… Mas com pães caseiros, ou de padarias bem "família"… Não quero discutir nem levantar poeira. Mas o hábito de "jantar comida" aqui em casa é só do Leo (5 anos). Como ele almoça na escola, na hora do almoço já separo um prato com a mesma comida que tivemos ao meio dia… É bem fácil por conta de nossa rotina, mas quando no almoço rola algo que ele não gosta ou que era igual ao cardápio do meio dia na escola, vai de lanche mesmo… Até porque estamos achando ótimo que agora ele curte pão… coisa sempre odiada.
Bem, tudo isso prá dizer que quanto mais neuras com comida, parece que menos eles comem!!!
bjs e bom apetite

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Comer para Crescer

Meninas,
Estou adorando os comentários porque reforçam o que sempre penso: cada família administra o cotidiano como pode, como dá, como é possível dentro da realidade de cada um, conforme suas crenças, regionalismo e etc, mas sem perder o foco que a boa alimentação forma estômagos tolerantes!!!! Amo blog por causa dessa interação enriquecedora!!!

Paloma, vou fazer um post sobre o que vc falou. Mas acho que a sua mesmice pode ser diferente da mesmice da Isa. A dela talvez tenha mais a ver com aquilo de estranheza ao novo, de comer apenas o que conhece etc. Pode ter um lado de copiar a mamãe, mas acho que a fase da mesmice dela é diferente da sua. Vou assuntar e voltamos a nos falar.

beijos
Patricia

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Sarah

Adorei Patricia! Também acho que muitas vezes fazemos concessões demais… Mas seu post me inspirou a fazer o jantar 2 vezes nessa semana!
Ah, e adorei a receitinha do hamburguer caseiro, já copiei! 😛

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