Prato raso e pouca comida

Este post é dedicado a minha companheira de blogosfera Mô e a todas as mães que, como eu, tiveram de comer montanhas de comida, que tiveram de raspar o prato na infância.

Ri muito com as garfadas do pai da Mônica. Lembro também do meu desânimo frente ao prato – fundo – de comida feito pela minha mãe, quando eu era pequena. Ela não me cutucava, mas dizia e repetia que eu tinha de raspar o prato, senão não iria crescer, que para crescer, ficar forte e linda (!) tinha de comer TUDO (a inspiração do título do blog vem da clássica frase “Tem de comer para crescer”). leia mais

As crianças, o apetite e o horário de verão

O fato do relógio adiantar apenas uma hora deveria bagunçar pouco o nosso organismo e o das crianças. Comigo não é bem assim. Fico um caco nos primeiros dias. Miguel parece seguir os passos da mãe (e do pai, que fica igualmente desorientado).

Hoje, segunda-feira, dia 19 de outubro, perdi a hora pela manhã. Consequência: os meninos não foram para a escola. Tomaram café da manhã no horário que estariam lanchando na escola. Deveriam estar com fome, claro. Mas ao ser inquirido sobre o que desejava comer, Miguel rebateu para a Ana (nossa master cozinheira-arrumadeira-babá): “Não vou comer. Estou sem apetite”. Assim mesmo! Alguns longos minutos mais tarde, ele acabou tomando um desjejum bem razoável (pão com margarina, duas bolachas de chocolate sem recheio e um copo de leite com chocolate). Ok. Tinha excesso de chocolate! Eu sei. leia mais

Espante a preguiça e amamente

Parei de amamentar no seio há anos. Confesso que não sinto mais saudade. Meus filhos passaram a rejeitar o leite quando tinham entre oito e dez meses. Ficavam inquietos quando eram aconchegados no colo e eu lhes oferecia meu seio. Viravam o rostinho, esticavam o pescoço para trás. Utilizavam técnicas de fuga.
Se pudessem, gritariam: SO-CO-RRO, me tirem daqui!!!!
A transição deles para leite de fórmula foi tranquila. Não derramei uma lágrima pelo fim do aleitamento no seio. Tive uma grata sensação de libertação.
Mas amamentar meus filhos exclusivamente pelo maior período que uma mãe que trabalha fora consegue sempre foi a minha meta. Jamais desejei o contrário. Acho que toda mãe (salvo as que não podem amamentar por algum problema de doença ou pela prematuridade do bebê) tem a obrigação de oferecer só o leite materno (e apenas ele) pelo maior tempo possível.
A licença-maternidade dá a oportunidade de a mulher ficar 120 dias com o bebê. Então, se vira, se dobre em duas, mas dê apenas e tão somente o leite que jorra do par de seios que estão aí!
Olhando os números do Ministério da Saúde sobre aleitamento materno exclusivo no Brasil passei a ser intolerante com a mulherada que, ao menor de dificuldade, recorre à mamadeira, aos chazinhos, à agua.
Os números:
“Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que quase todas as crianças brasileiras (cerca de 97%) iniciam a amamentação no peito logo nas primeiras horas de vida, mas permanecem mamando por um período curto. Segundo o órgão, a média de aleitamento materno exclusivo da população brasileira, em 1999, era de 23 dias e do aleitamento materno era de 9 meses e 9 dias.”
A pesquisa é de 1999. É velha. Concordo. Mas uma hecatombe não aconteceu no país para indicar que de lá pra cá todas essas crianças (97%) passaram a ser amamentadas exclusivamente no seio materno nos primeiros seis meses de vida.
Minha intolerância com as mães decorre desse fato citado acima. Nada me convence que há uma certa preguiça no ar. Amamentar demanda paciência, dedicação, desprendimento e perda de liberdade. Você precisa estar disponível para o seu filho. O alimento tem de ser na hora que ele quer e não no momento que a mãe pode.
Além disso, amamentar é díficil? Puxa vida, como é! Amamentei dois e sei muito bem como os seios podem ficam lacerados, como o desencontro entre uma mãe que nunca amamentou e um bebê que nunca sugou um seio pode ser estressante.
Parece que o leite não sustenta, que é fraco? Sim. Tive dias de ter a nítida sensação que, se eu desse um prato de arroz com feijão, os meninos ficariam felizes e satisfeitos.
A questão é que o leite materno é digerido rapidamente e, portanto, a fome vem mais rápido.
Apenas o ganho de peso, ou melhor, o não ganho de peso do bebê dentro do esperado justifica complemento com fórmula.
Se o ganho de peso do bebê está ok, esqueça a água, o chá, o mel na colher. Deixe a preguiça, o nhem-nhem-nhem-nhem de lado e coloque seu filho no seio. Aproveite, relaxe, curta. Dura tão pouco. Passa tão rápido. Seu filho passará apenas seis meses mamando exclusivamente no seu seio. Se ele viver 75 anos (que é a expectativa de vida do brasileiro), passará os próximos 74 anos e seis meses comendo.
Ele (e você) merece esse tempinho exclusivo! leia mais