As crianças, o apetite e o horário de verão

O fato do relógio adiantar apenas uma hora deveria bagunçar pouco o nosso organismo e o das crianças. Comigo não é bem assim. Fico um caco nos primeiros dias. Miguel parece seguir os passos da mãe (e do pai, que fica igualmente desorientado).

Hoje, segunda-feira, dia 19 de outubro, perdi a hora pela manhã. Consequência: os meninos não foram para a escola. Tomaram café da manhã no horário que estariam lanchando na escola. Deveriam estar com fome, claro. Mas ao ser inquirido sobre o que desejava comer, Miguel rebateu para a Ana (nossa master cozinheira-arrumadeira-babá): “Não vou comer. Estou sem apetite”. Assim mesmo! Alguns longos minutos mais tarde, ele acabou tomando um desjejum bem razoável (pão com margarina, duas bolachas de chocolate sem recheio e um copo de leite com chocolate). Ok. Tinha excesso de chocolate! Eu sei.

Na hora do almoço, outro momento de Miguel “sem apetite”, que foi reforçado pelo fato de não ter nada à mesa que era do agrado dele: arroz árabe (aquele com macarrão fininho), feijão fresquinho, lagarto assado e uma mega salada colorida.

Ele chorou para comer o feijão, rejeitou totalmente o arroz, reclamou para engolir meio pedacinho de carne e deixou as ervilhas para escanteio. Mastigou com gosto apenas o tomate. (Puf! Essa é a minha expressão para essa péssim refeição).

Ainda não sei se foi o horário de verão que bagunçou o apetite do menino ou se era manha. Estou cada vez mais com a segunda opção porque o Samuel acordou bem, tomou um ótimo café da manhã (com direito a ovo quente) e repetiu o almoço.

Os pediatras orientam que a rotina deve ser mantida no horário de verão, sem alterar horários, para o organismo das crianças se acostumar o mais rápido possível. Bom, aqui os relógios estão todos no horário novo e a vida segue seu curso. Então, a ver como o caçula da casa e seu apetite estarão nos próximos dias de horário de verão.

beijos da Pati

1 Comments

Allan Robert P. J.

Pati,

Sou um homem de paz mas há momentos na vida…

Minha filha caçula, a Luiza, quando havia 3,4 anos não comia de jeito nenhum. Anemia, mal humor e aquela cara eternamente abatida. Além das manchas na pela. Médicos, psicólogo, simpatias, conselhos… Um dia enchi: peguei a Lu no colo na hora do almoço, fiz um prato de feijão, arroz, carne e verdura e com uma colher e a maior calma aparente dizia: "abre a boca." Emburrada, ela rrespondia: "numquero", "numtôcumfome", "numgosto", "numcomufeijão"… E eu, impassível: "não perguntei, filha. Abre a boca, mastiga bem e engole." Ela enchia os olhos d'água, algumas vezes vomitou, pedia para deixar de lado a verdura, negociava as últimas colheradas – o que eu concedia, quando o prato era muuuito grande.

Briguei com o médico, ameacei o psicólogo se tocasse no assunto, mandei enfiarem os conselhos onde doesse mais, fiquei antipático às simpatias e, em três meses, adeus anemia. Juro que não perdi a paciência nenhuma vez e que repeti a cena todos os dias, no almoço e no jantar. Mesmo em dias de festa. Os olhos arregalados e a respiração decididamente ameaçadora a cinco centímetros do rosto foram usados uma única vez, ao sentir a frase: "mas é uma festa, vai ter um monte de coisa para ela comer lá!" Tinha festa? a Lu comia antes e se empanturrava de doces, depois. Os avós jamais deram um pio.

Precisa ver a moleca hoje, dez anos depois, 1,75 mt de altura. 🙂

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