A maternidade solitária e uma receita de macarrão muito fácil

maternidade solitária
A maternidade, por Pablo Picasso

Eu tinha me preparado para escrever sobre algo relacionado à comida, aos filhos, ao paladar, mas ao ler um texto sobre maternidade solitária em um dos meus blogs preferidos mudei o foco. A autora fala com muita clareza sobre o medo que ela tem em trocar figurinhas e compartilhar dúvidas com outras mães virtuais por acreditar que a maternidade do século 21 virou uma competição louca entre quem está certa e quem está errada.

Não sei se virou. Acredito que ela sempre foi um período de competição, pois as mulheres são competitivas, além de apaixonadas e viscerais.  Dá para imaginar a versão masculina de Mulheres à beira de um ataque de nervos? Não. O filme de Pedro Almodóvar só deu certo porque nós somos as protagonistas, competitivas, viscerais, dramáticas. (Se você ainda não assistiu, recomendo fortemente que assista!)

Nós, mulheres, que na infância, adolescência e adultas jovens e velhas (quem nunca presenciou avós e tias discutindo/se vangloriando sobre quem tem a pior dor ou fez o melhor bolo para os netos/sobrinhos-netos?) competimos com nossas amigas próximas por tudo: cabelo, roupa, roupa, maquiagem, sapato, viagem, livros lidos, filmes vistos, também vamos competir na maternidade, ou alguém acha que seria diferente?

Mas, ainda que a competitividade seja um traço natural das mulheres, somos capazes de atos de generosidade, compreensão, respeito e acolhimento na mesma intensidade, como aconteceu com a própria autora do post. Ela recebeu dezenas de comentários acolhedores de outras mães dizendo que, às vezes, se sentem como ela, sozinhas e com medo de serem julgadas porque fizeram assim ou assado com o filho, a casa, o marido, a comida.

As mães continuam as mesmas: competitivas, viscerais e generosas. Adoramos contar sobre os nossos filhos e suas conquistas -e como são bacanérrimos- sem que isso seja uma ofensa a outra mãe. Gente que faz comentário besta tem em qualquer hora e em qualquer lugar. Isso não é uma prerrogativa das mães! Aqui no blog aparece uma ou outra. Algumas ignoramos porque o argumento não se sustenta, mas algumas nos criticam duramente com argumentos sólidos. Essas provocam incômodos, mas respeitamos porque o discordam do nosso jeito de ver a vida com argumentos bons e inteligentes.

E acho que aí está a questão da maternidade 2.0:  o que desejamos ouvir quando estamos “reclamando” publicamente do lado B da maternidade ou estamos compartilhando uma dúvida? Acredito que tudo depende do nosso humor. Tem dia que estamos abertas às observações críticas e comparações com outras crianças sem nos ofender. Mas tem dia que é difícil escutar comparações, críticas.

Por isso, que para mim bom humor -e informação- é tudo nessa vida. Ele nos sustenta, abre os olhos e clareia a mente nos dias ruins. Nos faz enxergar melhor e entender que mãe tal não é uma pessoa ruim, chata, sem noção. Ela só está contando sobre o filho – que come brócolis, xuxu e rabanete com macarrão integral, dorme a noite inteira, já sabe ler aos 4 anos, jamais fez xixi na cama e nunca mordeu o amiguinho nem bateu no irmão caçula. (Vontade de trucidar essa mãe exibida, gente! Hehehe)

Enfim, com os anos de maternidade (OLHA EU ME EXIBINDOOOOOOO) tenho cada vez mais certo que nós, mães, somos naturalmente competitivas porque as mulheres assim o são. E isso, talvez, nem sempre seja ruim! Tudo depende de como está o nosso humor! (Hoje, o meu tá péssimo. Estou num bad hair day!). E, sinceramente, nesses anos todos de internet, encontrei muito, mas muito mais mães bacanas, generosas, compreensivas e gentis em seus comentários do que a mãe crítica e que joga pedra. Acho a maternidade hoje muito menos solitária do que dos tempos da minha mãe, que só podia contar com a mãe, as tias e meia dúzia de vizinhas, que, vamos combinar, adoravam jogar uma pedra!

Finalizo esse desabafo com algo que não tem nada a ver com o assunto, mas facilita um dia ruim, com sensação de solidão: uma receita de macarrão muito fácil, deliciosa, que faz um tremendo sucesso por aqui e, olha que maravilha, suja apenas uma panela! Como estou com preguiça de digitar a receita, publico a foto da receita, que é do livro Dieta Italiana, do Gino D´Campo. Já escrevi o quanto gosto desse livro. Tem receitas simples, fáceis, que considero que não tem nada a ver com dieta. Vale o investimento.

Bom apetite. Bom humor pra você!

Patrícia

Receita de macarrão fácil

 

 

6 Comments

Rosi Vasconcelos

Adorei o post!
Acredito q a maior diferença entre a maternidade de hj e a de antigamente é q hj se tem acesso a muito mais informações, as mães de hj tem PhD em crianças e diversas ideologias e convicções em q acreditar e seguir, antigamente só precisavam ser boas mães, só precisavam ter filhos felizes e saudáveis e as de hj em dia tem uma necessidade de mostrar pros outros q são excelentes mães
Eu me considero uma mãe meio fora dos padrões pois vira e mexe reclamo dos perrengues da maternidade e já notei q isso é um tabu nessa geração de super-mães-de-filhos-mega-saudáveis-q-nasceram-de-parto-normal-que-mamaram-no-peito-ate-8-anos-e-q-não-comem-doces-nem-nada-industrializado-e-dormem-ouvindo- mozart-e-se-traumatizam-com-qualquer-entonação-de-voz-mais-grave. Não sou uma mãe mimimi rsrsr e por isso meu círculo de amizades com outras mães é bem restrito mas de muita qualidade. Ser mãe por si só já é bastante pressão pra mulher, por isso evito contato com as “super mães” pois já me cobro o suficiente pra ainda ter q ouvir críticas de mulheres q juram q sabem mais do q eu como educar meus filhos.
No fim o importante é o resultado do q vc é como mãe: filhos preparados pra vida, com caráter e boa índole.

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Ana

Disse tudo, colega! Essas super mães me dão uma preguiiiiiça. A maternidade hoje em dia tem tantas regras q faltam pouco nos enlouquecer.

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Nine

Hum, delícia de macarrão! Adorei! Semana passada fiz os pães de queijo do vídeo que vcs divulgaram na internet. Eu e minha filha fizemos, ficou uma delícia! Meu marido comprou pão de queijo de padaria depois e disse que nunca mais vai comprar pq o nosso é bem melhor! Agora vamos testar variações!
Sobre a solidão e a competição na maternidade, eu tenho opiniões variadas sobre isso. Eu acho que depende do ciclo da maternidade onde você se encontra. Mulheres sem filhos adoram dar pitaco na educação dos filhos alheios, sem a devida experiência (já fui assim). Mães de primeira viagem de filhos ainda BBs tem aquela visão utópica sobre criação de filhos e acham que seus filhos sempre serão ternos e meigos e que se elas seguirem tudo o que se diz sobre criação com apego, respeito a criança, etc, etc, seus filhos serão sempre assim: ternos, meigos, sorridentes, educados, nunca baterão, morderão, darão respostas desedudadas, amarão incondicionalmente o irmão mais novo, etc, etc, etc (já fui assim). Um belo dia a gente cai na real, vê que nada a ver, vc não tem a resposta para tudo, criar filhos é uma aventura, e, ainda que haja procedimentos mais simpáticos, atitudes bacanas, sempre haverá os perrengues; e esses, na maioria das vezes, não vão parar nos blogs ou facebook. Fica aquela impressão de que vc tá fazendo algo errado…Blogs e facebook tb são propagandas, ainda que da vida real, não retratamos tudo ali. Tudo isso junto pode dar a impressão de que estamos competindo demais, de que sabemos mais; mas na verdade somos todas mães tentando acertar, inseguras se estamos tomando as escolhas ideais para nossa família e sempre tentando varrer a sujeira para debaixo do tapete quando recebemos visitas :). Isso é o mais importante: cada família tem uma dinâmica. E o que se vê e se lê nos blogs são, quase sempre, os melhores momentos, não os piores. Ninguém quer registrar isso para a posteridade, né?
Beijos!
Nine

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Comida Boa Muda Tudo

Nine,
Amei o seu comentário. Com todos esses anos de maternidade, percebo exatamente isso: tudo depende de que parte da maternidade vc está. E, de fato, a maternidade 2.0 é apenas um recorte da maternidade. Os perrengues mesmo nem sempre estão ali. Será que a gente não expõe por vergonha ou medo da patrulha? Talvez um pouco de tudo. Né?
E o pão de queijo não é uma delícia? Depois que vc fizer o macarrão, me conta como foi. Aqui ele já é o macarrão preferido!

bjs

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Viviane Pereira

Vou fazer este macarrão, hein??
Para mim, o comentário da Nine foi perfeito. Quanto ao se expor só o lado bom, é natural. As pitangas a gente chora para os amigos mais chegados e parentes que convivem com a rotina da família.

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Ana (@UniversoMaterno)

Adorei o post e o comentário da Nine.

Eu sempre me cobrei muito, desde criança. Digo que computo comigo mesma rs já que volta e meia coloco padrões altos para mim mesma (rindo para não chorar). Felizmente tenho um marido parceirao que me chama para realidade 🙂

Outra felicidade é que sou turrona o que me faz.ignorar críticas ou julgamentos. Me senti muito mais pressionada por outras mães da família e acolhida online. Escrevi textos sobre estes dois. Sobre as amizades online que tanto me acolheram escrevi o Minha Vila

Bjs

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